A caminho das eleições

Arquidiocese de Belém organizou debates com candidatos

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BELÉM DO PARÁ, segunda-feira, 27 de agosto de 2012 (ZENIT.org) - A Arquidiocese de Belém, através de sua Fundação Nazaré de Comunicação e a Comissão Arquidiocesana de Justiça e Paz, antecipou os possíveis debates nos meios de Comunicação, realizando ainda no mês de agosto, um encontro, transmitido por Rádio e Televisão, com todos os candidatos e candidata à Prefeitura de nossa capital. A repercussão foi muito positiva, pois nos encontrávamos antes do natural calor da campanha que se realiza nas semanas que antecedem o pleito. Chegaram-nos perguntas muito inteligentes e pertinentes e pudemos constatar o respeito à diversidade, a serenidade e a polidez com que se houveram as dez pessoas que postulam a Prefeitura de Belém. Vivemos horas de sadia experiência democrática, que me possibilitaram dizer aos participantes que eram momentos preciosos de “concórdia”, no sentido de um coração unânime, pulsando pelo bem da sociedade. Aprendemos muito, e aprendemos juntos. Desejamos oferecer espaço semelhante aos candidatos às prefeituras dos outros quatro municípios da Arquidiocese.

Abrindo nossa reflexão ao fato político das campanhas e das eleições em geral, tomamos a liberdade de oferecer nossa contribuição de Igreja para o momento presente da sociedade. De fato, durante o mês de setembro os municípios de nosso país estarão em plena ebulição, pelas eleições que se aproximam. Sabemos que a variedade dos candidatos tem interesses que percorrem um leque muito amplo, dos mais sórdidos aos mais dignos, ainda que bem apresentados pelas técnicas de comunicação. Rezamos para que tudo o que ouvimos se reflita, como um espelho, tornando-se apelo à desejada autenticidade dos homens e mulheres que assumirão responsabilidades no poder legislativo e executivo de nossas cidades. Mesmo não sendo possível gravar tudo o que se diz numa campanha eleitoral, Deus conceda a cada um dos candidatos ouvir e ler o que eles ou suas assessorias prepararem, transformando-se então num vade-mécum em seus eventuais mandatos.

Se num processo judicial as pessoas são consideradas inocentes até que se prove o contrário, maiores são as razões para que os eleitores, e nós cristãos nos incluímos com responsabilidade nesta categoria, tenhamos um olhar positivo e benevolente, da parte da cidadania, com o qual queremos acolher as propostas apresentadas nas campanhas dos diversos partidos. A benevolência se expresse num ouvido aberto, pedindo que os que concorrem aos cargos públicos nos apresentem com clareza o que desejam oferecer à sociedade. Solicitamos a todos a necessária transparência, correspondente à realidade dos municípios.

Aos candidatos a vereadores, sugerimos que se atenham à atividade legislativa, já que promessas administrativas não correspondem às atribuições constitucionais correspondentes aos seus cargos. Pedimos que se trabalhe por um mecanismo de acompanhamento e fiscalização dos gestores públicos. Ousamos esperar que nossos futuros vereadores “vistam a camisa” do bem comum, superando os interesses particulares ou corporativistas.

Às pessoas que se candidatam aos cargos executivos, possíveis administradores ou administradoras de nossas cidades, chegue nosso apelo sincero a não oferecerem planos parecidos com a edificação de um “paraíso terrestre”, quando todos nós sabemos da escassez dos recursos e a progressiva atribuição de responsabilidades aos municípios, com as dificuldades existentes! Nós, eleitores, preferimos que nos apresentem propostas mais modestas, fecundadas com sadio realismo. De quem for alçado às responsabilidades administrativas para os quatro anos que se seguem, esperamos também uma visão suprapartidária. Quando tomarem posse, serão responsáveis de todo o conjunto de suas respectivas cidades. Ninguém será prefeito só de seu partido! Temos a certeza de que conhecem bem suas cidades e suas respectivas responsabilidades. Outro apelo vai na direção de um permanente canal de comunicação com a população, não só durante a campanha eleitoral, mas também e muito mais no exercício do mandato.

Que contribuição a Igreja pode e quer oferecer-lhes? Desejamos ser, ao lado de outros muitos grupos religiosos ou de consciência social, guardiães e anunciadores de valores correspondentes à dignidade da pessoa humana, como a liberdade, a democracia, o respeito aos mais pobres e sofredores. Queremos ser batalhadores pelo diálogo e pela transparência. Da parte da Igreja Católica, asseguramos que os fiéis têm, como lhes foi dado pelo próprio Senhor, a plena liberdade de escolha dos candidatos no momento do voto. Reconhecemos autonomia da administração da coisa pública, espaço do pluralismo, do debate sincero e aberto, com a valorização e o respeito ao que é diferente. Desejamos construir pontes de fraternidade, buscando mais o que nos une a outros grupos da sociedade do que salientar o que eventualmente possa separar.

Orgulhamo-nos, sim, da chamada “Lei da ficha limpa”, na qual a Conferência Nacional dos Bispos do Brasil – CNBB e todas as Dioceses se empenharam, ao lado de outras forças da sociedade. Muitas das mais de um milhão de assinaturas para a aprovação da lei vieram de nossas Paróquias e Comunidades da Arquidiocese de Belém e outras Dioceses de nossa região! É muito bom ouvir, nas campanhas institucionais que antecedem as eleições, o apelo cunhado nos grupos de Igreja pelo Brasil afora e agora transformado em sonoro refrão: “Voto não tem preço, tem consequências”! Deus abençoe os eleitores, os candidatos e o processo eleitoral em curso.

Dom Alberto Taveira Corrêa

Arcebispo Metropolitano de Belém