A chave da memória

A história da razia dos hebreus no Vélodrome d`Hiver, revivida em um filme

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ROMA, sábado, 28 de janeiro de 2012(ZENIT.org) – Qual é o sentido da memória de 27 de janeiro, se não recordar o genocídio dos hebreus para que nada parecido aconteça novamente na história da humanidade? Exatamente este é o objetivo do filme “A chave de Sara”, de Gilles Paquet-Brenner.

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A proposta do diretor é mostrar aos jovens franceses de hoje (e ao público em geral, obviamente) um dos mais infames episódios na história francesa: a razia de treze mil hebreus no Vélodrome d`hiver, em julho de 1942 debaixo dos olhos da policia francesa.

Trata-se de um tema de memória histórica. O filme é baseado na reconstrução de Julia Jarmons, jornalista americana, que por vinte anos vive em Paris; casada com o proprietário de uma casa onde morou uma das famílias hebraicas deportada no Velódrome. Através de sua reportagem sobre este tema e graças às noticias fornecidas pelo seu sogro, “atravessa” a história de Sara, uma menina deportada que para salvar o irmão Michel, levou consigo a chave do armário onde o havia escondido no dia do rastreamento.

Um remorso que durará por toda a sua vida e que representa um “tòpos” para os hebreus que sobreviveram ao campo de concentração (cfr Primo Levi): aqueles que escaparam da morte nos campos e, ao mesmo tempo, deixaram ali a “vida”, os familiares, as lembranças, a tal ponto de não conseguirem enfrentar o tempo de existência que resta.

 De qualquer maneira “A chave de Sara” é diferente de todos os outros filmes sobre o argumento como A lista de Shindler, Cânone Inverso, ou A vida é bela, em relação ao objetivo do diretor, que não foi de permanecer na via dos hebreus dentro do campo de concentração, mas na necessidade de transmitir o passado: “recordar” ou corremos o risco de cancelar paginas vergonhosas da história ou, ainda pior, fantasiar ou desmenti-las.

Ao mesmo tempo, o filme contém algo particular talvez inoportuno pelo drama do tema (a separação entre a jornalista e o marido, a discussão entre eles sobre o aborto, o giro pelo mundo da protagonista que parece perdido entre os parentes de Sara...)

Digna de nota, ao invés, é a cena do banho de Sara no lago, fora do campo de concentração que a “purifica” das maldades humanas vistas e sentidas lá dentro e que se repete quando ela abandona a família adotiva em busca de seu lugar no mundo.

Um filme comovente, que faz refletir e, sobretudo uma chave para não esquecermos.

Por Olga Sanese

(Tradução:MEM)