A chegada de Francisco a Assis agita os ânimos desde as primeiras horas da manhã

Durante o encontro com as crianças deficientes no Instituto Seráfico, o Papa deixa de lado seu discurso preparado e fala espontaneamente. Pela manhã, cerca de 150.000 peregrinos já enchiam as ruas da cidade

Assis, (Zenit.org) Salvatore Cernuzio | 567 visitas

Assis despertou por volta das 07h15 (hora local) com o som do helicóptero que transportava o Papa Francisco. Mas, a cidade estava animada desde a primeira luz do amanhecer. A região da Úmbria que foi o berço do santo padroeiro da Itália, de quem hoje a Igreja celebra a memória, estava literalmente povoada pelos peregrinos: jornalistas, voluntários, freiras, religiosos, famílias.

Cerca de 150 mil pessoas já estavam reunidas para participar desta visita histórica do Papa ao seu homônimo, 50.000 a mais do que o esperado no dia anterior, estavam espalhadas entre o sagrado da Basílica de Santa Maria degli Angeli, onde o Papa se reuniu com os jovens no período da tarde, e a praça em frente a Basílica Inferior de São Francisco, onde o Papa celebrou a Santa Missa às 11 horas.

Enquanto Monsenhor Marini dava as últimas orientações para a preparação do palco, onde estava uma cópia gigante do Crucifixo de São Damião, mais alto, diante da Basílica superior, uma multidão de guarda-chuvas coloridos se posicionavam em frente ao telão que transmitia as imagens mais significativas dos 7 meses do pontificado de Bergoglio: desde a sua eleição em 13 de março até a Jornada Mundial da Juventude no Rio de Janeiro.

O dia estava nublado e garoava, mas isso não afetou de forma alguma os grupos de peregrinos posicionados em pontos estratégicos por onde passaria o Papa Francisco. Assis é pequena, as ruas são estreitas, as praças comportam no máximo de 8.000 pessoas. Então, todo mundo se alegrava apenas em pensar que conseguiria tocar e apertar a mão do pontífice. Ou, pelo menos, vê-lo de perto e respirar este carisma explosivo que está abalando a Igreja e o mundo.

A descrição foi confirmada a ZENIT, no domingo, por uma senhora idosa da província de Lecce que, juntamente ao seu grupo, viajou das 20hrs de ontem para chegar esta manhã às 6:30, e garantir a primeira fila por trás dos muitos obstáculos colocados em todos os cantos da cidade (cerca de 10 km no total). Um belo “sacrifício", especialmente para uma senhora de certa idade, mas "vale a pena" - disse Mimina - porque "o desejo de ver o Papa é muito forte”. “Desde que foi eleito - acrescenta – tenho em meu coração o desejo de conhecê-lo e agradecê-lo, porque este Papa inspira confiança, amor, este Papa é tudo”.

Da mesma opinião, um grupo de mulheres que vieram sozinhas de Nápoles, e estava no mesmo lugar desde as 4 da manhã, garantindo o espaço. “Este Papa é um “grande” e estamos esperando para vê-lo e ouvir ao vivo o que ele vai dizer”.

De acordo com um dos agentes de segurança, muitas pessoas estavam ali por devoção a São Francisco: seja o Santo ou o Papa, mas muitos – observa-se um leve traço de humor – estão aqui "por folclore", atraídos pelo status do evento.

Pode ser verdade, mas é difícil acreditar que tantas pessoas, provenientes da Itália e do exterior, estivessem ali apenas para ser capaz de dizer "eu estava lá". De qualquer forma, isso também é útil: atraídos por um gesto do Santo Padre ou pela curiosidade de ver ao vivo, e então encontrar-se no abraço da Igreja, ouvindo as palavras deste Pontífice que, no entanto, nunca deixa ninguém indiferente.

Como aconteceu no Instituto Seráfico, onde Francisco, acompanhado por "meu irmão Domenico”, Bispo Sorrentino, encontrou as crianças que sofrem de deficiências graves, cuidados pela instituição fundada em 1871 pelo Beato Ludovico de Casoria. Impressionado com as palavras de apresentação da Presidente Francesca Di Maolo, o Papa inesperadamente deixou de lado o discurso planejado e exortou a escutar as chagas do mundo: “todos nós, aqui, temos a necessidade de dizer: “estas chagas precisam ser ouvidas!”. Mas há uma outra coisa que nos dá esperança. Jesus está presente na Eucaristia, aqui é a Carne de Jesus; Jesus está presente entre vocês, é a Carne de Jesus: são as chagas de Jesus nestas pessoas”.

O apelo: “Precisam ser escutados!” Talvez não tanto nos jornais, como notícias –destacou o Papa- isso é uma escuta que dura um, dois, três dias, depois vem um outro, um outro… Devem ser ouvidos por aqueles que se dizem cristãos”.

A mensagem forte que todos esperavam do Santo Padre nesta memorável visita a Assis, portanto, já havia chegado, pronunciada em voz baixa, e comovida, no que parecia ser apenas o primeiro encontro da manhã. Logo depois, o Papa dirigiu-se para a Sala de Vestimenta do Bispado de Assis paraouvir os pobres da Caritas diocesana.