A comunhão fraterna de dois papas

Pela primeira vez na história, dois papas mostram a sua fidelidade e serviço a Deus e à Igreja orando juntos no mesmo banco

Roma, (Zenit.org) Antonio Gaspari | 1079 visitas

Não é a primeira vez na história que a Igreja tem dois papas, mas nunca tinha havido antes uma irmandade tão profunda entre eles.

Bento e Francisco se abraçaram, rezaram juntos no mesmo banco, expressaram a sua comum fidelidade e serviço a Deus e à Igreja.

O papa Francesco deixou a Domus Sanctae Marthae às 11h45 de sábado e foi para o heliporto do Vaticano, de onde partiu, pouco depois do meio-dia, para visitar o papa emérito Bento XVI em Castel Gandolfo.

Após um vôo de 15 minutos, Francisco foi recebido por Bento, pelo bispo de Albano, dom Marcello Semeraro, e por Saverio Petrillo, diretor das Vilas Pontifícias.

Segundo o pe. Federico Lombardi, diretor da Sala de Imprensa do Vaticano, o Santo Padre desceu acompanhado pelo substituto, dom Giovanni Angelo Becciu, por dom Leonardo Sapienza e pelo secretário maltês, mons. Alfred Xuereb.

Logo que Francisco colocou os pés no chão, Bento XVI, que nas palavras do pe. Lombardi estava um pouco “envelhecido e usando um bastão de apoio”, se aproximou para um bonito abraço entre os dois papas. Após breves saudações aos demais presentes, os dois pontífices entraram num carro. O papa Francesco ficou à direita, lugar clássico do pontífice, e o papa emérito Bento XVI sentou-se à esquerda. No mesmo carro também estava o prefeito da Casa Pontifícia e secretário do papa emérito, mons. Georg Gänswein.

O carro levou os visitantes até os elevadores. No apartamento, os dois papas se dirigiram à capela para um momento de oração.

As imagens do Centro Televisivo Vaticano mostram que, na capela, o papa emérito ofereceu o lugar de honra ao seu sucessor, mas, tomando-o pela mão, Francisco disse: "Somos irmãos", e quis que os dois se ajoelhassem no mesmo banco. Impressionante imagem de dois papas que rezam juntos a Maria, ajoelhados lado a lado.

Após a oração, Bento e Francisco passaram para a biblioteca privada, onde o papa costuma receber os convidados importantes. O encontro reservado apenas aos dois papas começou por volta de 12h30 e durou 45 minutos.

Belo, ainda, foi o momento em que o papa Francesco deu ao papa emérito um ícone de Nossa Senhora da Humildade. “É uma imagem que eu não conhecia”, disse Francisco a Bento XVI. “Me disseram que é a Virgem da Humildade, e ela me lembrou de você".

Bento XVI, emocionado, apertou com carinho a mão de Francisco, dizendo "Obrigado, obrigado".

O papa emérito usava uma batina branca simples, sem faixa e sem capa. Francisco também se vestia de branco, mas com a capa e a faixa que distingue o papa reinante.

Do almoço, junto com os papas Bento XVI e Francisco, participaram os dois secretários, Gänswein e Xuereb.

O diretor da Sala de Imprensa do Vaticano ressaltou que foi o primeiro encontro presencial dos dois papas. Nos primeiros dez dias de pontificado, Francisco já tinha voltado várias vezes seus pensamentos ao papa emérito Bento XVI, a quem recordara já na primeira bênção, do alto da sacada de São Pedro, quando recém-eleito na noite de 13 de março.

Francisco ainda telefonou duas vezes para Bento XVI: na noite da eleição e no dia de São José, para felicitar José [Joseph] Ratzinger pelo seu onomástico.

Por sua vez, o papa emérito tinha manifestado a sua reverência e obediência incondicional ao sucessor ainda na reunião com os cardeais no dia 28 de fevereiro, dia em que finalizou o seu pontificado.

Lombardi relata que o encontro entre os dois papas foi um momento de "altíssima, profundíssima comunhão" e que o papa emérito "certamente renovou o ato de reverência e de obediência ao seu sucessor", enquanto Francisco "renovou a sua gratidão e a de toda a Igreja pelo ministério que Bento XVI desenvolveu durante o seu pontificado".

O helicóptero com o papa Francisco partiu de Castel Gandolfo de volta para o Vaticano às 14h42, horário de Roma.