A Croácia se mobiliza em defesa do casamento natural

Referendo deste domingo pergunta se a constituição deve passar a definir o casamento como "união entre homem e mulher". 68% dos eleitores são a favor

Roma, (Zenit.org) Federico Cenci | 514 visitas

As pesquisas apontam vitória esmagadora dos eleitores que querem introduzir na constituição da Croácia a definição do casamento como "união de vida entre um homem e uma mulher". O referendo acontece domingo, 1º de dezembro, e tem o objetivo de neutralizar qualquer tentativa de legalizar no país formas de casamento que não sejam o casamento natural.

A mobilização dos cidadãos da Croácia começou na primavera passada, quando associações católicas se uniram no movimento U Ime Obitelji (Em Nome da Família) e lançaram um abaixo-assinado pedindo a realização do referendo.

O resultado foi impressionante. As 375 mil assinaturas (10% do eleitorado) exigidas por lei para validar a iniciativa popular foram conseguidas em uma semana. Em total, o abaixo-assinado levantou 710 mil assinaturas, equivalentes a mais de 16% da população croata, formada por 4,2 milhões de pessoas.

O mérito do enorme sucesso pode ser atribuído aos muitos voluntários que, num curto espaço de tempo, organizaram mais de 2.000 pontos de coleta de assinaturas em todo o país. Os cidadãos puderam assinar não só nas igrejas, capelas e conventos, mas em muitos locais públicos como universidades, praças e mercados.

A iniciativa contou com o apoio explícito da Conferência Episcopal da Croácia. Mas não apenas. Em defesa da lei natural, formou-se um verdadeiro fronte interconfessional, com representantes da Igreja Ortodoxa, da comunidade muçulmana e de outras denominações cristãs que apoiam os objetivos do referendo.

Minoritária, mas às vezes muito feroz, foi a oposição. Os voluntários relatam ter sofrido várias agressões por parte de membros das comunidades homossexuais. O governo e os partidos políticos da maioria (de centro-esquerda) não pronunciaram uma única palavra para condenar esses gestos de violência.

Aliás, a crítica mais pesada contra o governo croata é justamente a de tentar obstruir o sucesso da iniciativa. O mínimo de assinaturas exigidas por lei foi subitamente elevado para 450 mil já nos primeiros dias da mobilização. Quando os organizadores anunciaram ter conseguido meio milhão de assinaturas, o governo ainda impôs que o parlamento discutisse a possibilidade do referendo, o que contrariava o parecer do Tribunal Constitucional. Contando com a maioria no parlamento croata, ficava evidente que os esforços do governo estavam direcionados a impedir o sucesso da iniciativa popular.

Independentemente das decisões que vierem a ser tomadas, a livre expressão dos cidadãos sobre a questão da família não poderá ser impedida. O site do U Ime Obitelji afirma: "Os cidadãos croatas estão absolutamente convencidos da importância do seu voto neste domingo, 1º de dezembro, para confirmar a visão do casamento como a união de um homem e de uma mulher durante toda a vida; para confirmar que querem defender esta comunidade e os seus direitos, e com eles a constituição croata; para confirmar que estão cansados, cansados de ouvir a mesma mentira, cansados deste terror de uma minoria contra a maioria".

Uma pesquisa publicada nesta semana confirma os prognósticos da associação organizadora da iniciativa: 68 % dos entrevistados afirma que votará a favor da introdução da definição de casamento como a união entre homem e mulher. 27% deverão votar contra e 5% se dizem indecisos.

Será o terceiro referendo na história desta jovem nação europeia. O primeiro abordou justamente a sua independência, em 1991. No ano passado, o eleitorado foi chamado a se manifestar sobre a entrada do país na União Europeia. Desta vez não há quórum nem previsão de aplauso da maioria daqueles que, no resto da Europa, comemoraram os resultados dos dois referendos anteriores.