«A Cruz e Maria»

Por D. Orani João Tempesta, arcebispo de Belém do Pará

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BELÉM DO PARÁ, domingo, 16 de setembro de 2007 (ZENIT.org).- Publicamos a seguir o artigo escrito por D. Orani João Tempesta, O. Cist., Arcebispo de Belém do Pará (Brasil) e Presidente da Comissão Episcopal para Cultura, Educação e Comunicação da CNBB, por ocasião da Festa da Exaltação da Santa Cruz, comemorada no dia 14 de setembro, e logo após, a piedosa memória de Nossa Senhora das Dores, comemorada no dia seguinte.



O Artigo foi publicado pela página web da Conferência Nacional dos Bispos do Brasil (CNBB).

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Nos dias 14 e 15 últimos celebramos a Festa da Exaltação da Santa Cruz e de Nossa Senhora das Dores. Festas antigas e ao mesmo tempo tão importantes para a nossa vida hoje. Com a reforma litúrgica do Concílio Vaticano II as festas foram colocadas juntas para celebrarem o mistério da Cruz e da nossa salvação em Cristo, que ali deu a Sua vida por nós.

A festa da Exaltação da Santa Cruz vem dos primeiros séculos da Igreja, quando os cristãos começam a anunciar que o instrumento de martírio, o sinal de maldição se tornara o sinal da Salvação porque o Filho de Deus derramou o seu Sangue na Cruz e nela lavou a nossa vida de pecado, pagando-os por nós! E assim como o simbolismo da serpente no deserto (Nm 21, 4-9), os cristãos a levantam para que quem crer e acolher Aquele que foi suspenso no madeiro e está hoje ressuscitado seja salvo!


Assim que foi possível foram construídas em Jerusalém as Basílicas do Gólgota e no Sepulcro do Cristo Ressuscitado. Também quando se encontraram os pedaços da cruz que ainda estavam conservados foi erigida em Roma a Basílica de Santa Cruz em Jerusalém, hoje uma Abadia Cisterciense que conserva até agora essas preciosas relíquias.


Jesus nos disse que “Aquele que não carrega sua cruz e não me segue não pode ser meu discípulo” (Lc 14, 27), e São Paulo recorda que “eu me glorie somente da cruz de nosso Senhor Jesus Cristo. Por ele, o mundo está crucificado para mim,como eu estou crucificado para o mundo” (Gal 6,14). A liturgia do dia nos lembra que Jesus Cristo, “humilhou-se a si mesmo, fazendo-se obediente até a morte, e morte de cruz. (Fl 2,8), e que “do mesmo modo como Moisés levantou a serpente no deserto, assim é necessário que o Filho do homem seja levantado, para que todos os que nele crerem tenham a vida eterna” (Jo, 3, 14-15).


Nós utilizamos a cruz em várias ocasiões na liturgia: fazendo o sinal da cruz ao iniciarmos as celebrações (e aqui invocando a Santíssima Trindade), ela está próxima do altar quando se celebra a missa, tornando presente o simbolismo: “Contemplarão aquele que traspassaram” (Zc 12,10, Jô 19,37).


O símbolo da cruz perpassou os séculos nas várias manifestações sociais e religiosas! Atualmente pode apenas virar um adorno sem referência cristã e, em alguns lugares, questiona-se a presença dos crucifixos em locais públicos, no começo por alguns não católicos e agora por alguns não cristãos.


Apesar de todos esses movimentos não poderemos tirar de nossa frente os crucificados de hoje, como os pobres, doentes, idosos, explorados, desprezados e nem tampouco de nossas vidas com suas cruzes, mesmo que não aceitas, mas sempre presentes.


Santo André de Creta, Bispo, na liturgia das horas dessa festa recorda-nos: “celebramos a festa da Cruz; por ela as trevas são repelidas e volta a luz. Celebramos a festa da cruz e junto com o Crucificado somos levados para o alto para que, abandonando a terra com o pecado, obtenhamos os céus”.


Logo no dia seguinte à festa da Santa Cruz a Igreja nos recorda a piedosa memória de Nossa Senhora das Dores. Invocamos Maria com muitos títulos. Lembramos das alegrias com o título de Nossa Senhora dos Prazeres, mas recordamos também das cruzes e dores de Nossa Senhora nesse dia seguinte à celebração da cruz. A liturgia nos recorda Maria ao pé da Cruz recebendo João como filho (Jo 19, 25-27) e nele todos nós! Para Ela já tinha sido profetizada a sua participação dolorosas na obra da salvação: “uma espada traspassará a tua alma” (Lc 2,35a).


Em Maria vemos todas as mães que choram e sentem as dores pelos filhos. Vemos todos nós ao contemplarmos as cruzes de nossas vidas e a Salvação em Cristo. Vemos que todos nós, cristãos e católicos, quando estamos aos pés da cruz, temos junto conosco Maria, nossa mãe! Para nós que temos como sinal a cruz que perpassa os séculos, e Maria que está sempre ao nosso lado, passemos pelas cruzes na confiança da Ressurreição e da Nova Vida em Cristo.