A escravidão fere mortalmente a fraternidade universal e a paz

48ª Jornada Mundial da Paz terá como tema "Não mais escravos, mas irmãos"

Cidade do Vaticano, (Zenit.org) Redacao | 422 visitas

"Não mais escravos, mas irmãos" é o tema escolhido pelo Santo Padre para a 48ª Jornada Mundial da Paz, em 1º de janeiro de 2015. O tema foi divulgado hoje no boletim de imprensa da Santa Sé, acompanhado de um comunicado do Conselho Pontifício Justiça e Paz.

Pensa-se, com frequência, que a escravidão seja um fato do passado, mas o comunicado reafirma que esta praga social está presente com força no mundo de hoje.

O tema se relaciona com o da jornada de 1º de janeiro de 2014, "A fraternidade, fundamento e caminho para a paz". O fato de sermos todos filhos de Deus nos torna irmãos e irmãs com igual dignidade.

"A escravidão fere mortalmente essa fraternidade universal e, portanto, a paz. A paz acontece quando o ser humano reconhece no outro um irmão que possui a mesma dignidade", ressalta o comunicado.

No mundo contemporâneo, são múltiplos os rostos abomináveis da escravidão: o tráfico de seres humanos, a exploração dos migrantes e da prostituição, o trabalho escravo, o abuso de pessoas por outras pessoas, bem como a mentalidade escravista no tocante às mulheres e às crianças. "Indivíduos e grupos exploram vergonhosamente esta ferida, aproveitando a situação causada pelos muitos conflitos no mundo e o contexto de crise econômica e de corrupção".

A escravidão é uma terrível dilaceração no corpo da sociedade contemporânea, uma ferida gravíssima na carne de Cristo. Para combatê-la eficazmente, propõe o comunicado, "é necessário reconhecer a inviolável dignidade de toda pessoa humana, além de manter inamovível a referência à fraternidade. A fraternidade exige a superação da desigualdade que leva um ser humano a escravizar o outro e demanda o conseguinte compromisso de proximidade e gratuidade em favor de um caminho de libertação e de inclusão para todos".

O objetivo, continua o comunicado, é a construção de uma civilização alicerçada na igual dignidade de todos os seres humanos, sem discriminação alguma. Para isso, "é necessário também o compromisso dos âmbitos da informação, da educação e da cultura em favor de uma sociedade renovada e configurada para a liberdade, para a justiça e para a paz".

Finalmente, o dicastério vaticano recorda que "a Jornada Mundial da Paz foi criada por Paulo VI e é celebrada todo ano em 1º de janeiro. A Mensagem do Santo Padre é enviada às embaixadas de todo o mundo e indica a linha diplomática da Santa Sé para o ano que começa".