A Europa deve confiar mais no seu cristianismo

Discurso da chefe da delegação do governo britânico em visita ao Vaticano

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CIDADE DO VATICANO, quinta-feira, 16 de fevereiro de 2012 (ZENIT.org) – Por ocasião do trigésimo aniversário das relações diplomáticas entre a Santa Sé e o Reino Unido, uma delegação de ministros do governo britânico chegou nesta terça-feira a Roma para uma visita ao Vaticano.

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A delegação foi encabeçada pela baronesa Sayeeda Hussein Warsi, ministra sem carteira no executivo do reino, acompanhada pelo arcebispo de Westminster, Vincent Nichols.

À tarde, a baronesa deu uma conferência sobre o papel da religião no debate político e nos assuntos internacionais, com a participação dos membros da Pontifícia Academia Eclesiástica e do corpo diplomático creditado junto à Santa Sé. A visita se encerrou ontem (quarta-feira), numa audiência com o papa Bento XVI.

Durante a saudação inicial, o arcebispo Beniamino Stella, presidente da Pontifícia Academia Eclesiástica, disse que o instituto que dirige teve entre seus membros diplomáticos ilustres como o cardeal Rafael Merry del Val, "que amou profundamente o povo, a cultura e a língua inglesa", assim como "clérigos eminentes" do século XIX, como os cardeais Edward Henry Howard e Henry Edward Manning.

A baronesa Warsi, após destacar as boas relações diplomáticas que existem entre a Santa Sé e o Reino Unido, recordou a visita de Bento XVI a Londres como um "momento histórico, importante e inesquecível".

A ministra destacou que "para promover a harmonia social, as pessoas precisam sentir com mais força a sua identidade religiosa e ter mais confiança nas suas crenças". A própria Europa deve “confiar mais no seu cristianismo”.

Referindo-se aos ensinamentos do Santo Padre, a baronesa afirmou: “Não podemos erradicar as bases cristãs europeias do desenvolvimento das nossas nações, como também não podemos eliminar as torres e os pináculos do panorama das nossas cidades”. Antigamente, "muito sangue foi derramado em nome da religião", mas é "um erro anular o papel da religião em nosso continente".

A ministra contou sua própria história como filha de imigrantes paquistaneses, destacando o debate sobre as desigualdades raciais que caracterizaram as décadas de 1970 e 1980. Depois do 11 de setembro de 2001, o debate "passou da raça para a religião", precisou.

Surpreendentemente, a baronesa se disse "fortalecida na fé islâmica" graças à "identidade cristã" da Inglaterra. É o resultado de ter educado a filha em uma escola anglicana, onde "a forte marca do cristianismo não ameaçou a nossa identidade muçulmana".

A ministra sublinhou o papel da Igreja católica em muitas circunstâncias históricas delicadas, desde a queda do comunismo até a mediação pela paz na Irlanda do Norte, passando pelo auxílio às vítimas de desastres naturais como o grande terremoto no Haiti e as trágicas inundações no Paquistão.

Warsi descreveu com especial emoção a visita à comunidade cristã de Karachi, no Paquistão, "que tinha prometido ao inesquecível ministro Shahbaz Bhatti (ministro católico paquistanês), que foi brutalmente assassinado".

Na ocasião, ela visitou um colégio de religiosas e o convento de Jesus e Maria, onde estudara a ex-primeira-ministra Benazir Bhutto, primeira mulher a dirigir aquele país asiático.

O diálogo inter-religioso, na opinião da baronesa Warsi, que citou o documento Nostra Aetate, é um passo adiante na aceitação mútua entre as diferentes religiões, não para "debilitar a nossa fé, mas para fortalecê-la".

Compartilhando com o Santo Padre o apelo pela volta da religião ao debate público, a ministra britânica chegou à conclusão de que "os nossos estados têm muito a ensinar e muito a aprender uns dos outros, e eu espero, ou melhor, tenho confiança, que outros estados se unirão a nós neste caminho".