A face da Igreja

A Arquidiocese de Belém prefere ficar com a declaração abalizada do próprio Papa Bento XVI

Belém do Pará, (Zenit.org) Dom Alberto Taveira Corrêa | 919 visitas

Vivemos uma quadra surpreendente na vida da Igreja, com a renúncia do Papa Bento XVI à Sé de Pedro, provocando no mundo inteiro verdadeira avalanche de perguntas, com as consequentes interpretações. De repente, cristãos católicos ou não, pessoas de outras religiões ou convicções, até pessoas totalmente alheias a qualquer profissão religiosa emitem seus pareceres, alguns bem fundamentados, outros nem tanto.

De nossa parte, a Arquidiocese de Belém prefere ficar com a declaração abalizada do próprio Papa Bento XVI, por ser palavra daquele que é depositário de toda confiança, alguém que nunca decepcionou a Igreja. Ao contrário, o Papa disse a que veio nestes quase oito anos e ofereceu à Igreja a segurança para encontrar e proclamar as razões da fé a todos os que nos perguntarem sobre a esperança que nos conduz. Seu gesto pouco a pouco é interpretado com lisura pelas pessoas retas. Trata-se de uma atitude prevista na legislação da Igreja, ato de personalidade madura e coerente, com a humildade que sempre caracterizou sua vida. A Igreja cresceu nestes dias, pois sabemos, com São Paulo, que tudo contribui para o bem dos que amam a Deus (Cf. Rm 8,28).

Os Papas, assim chamados para testemunharem a paternidade misericordiosa de Deus, vigários de Cristo, sucessores legítimos do apóstolo São Pedro, sobre os quais, cada um a seu tempo, recai a responsabilidade do primado na Igreja, são homens com sua história e seu temperamento, com suas capacidades e eventuais limites. Chamou atenção a clareza com que Bento XVI se dirigiu aos cardeais e à Igreja no dia 11 de fevereiro: "Bem consciente da gravidade deste ato, com plena liberdade, declaro que renuncio ao ministério de Bispo de Roma, Sucessor de São Pedro, que me foi confiado pela mão dos Cardeais em 19 de Abril de 2005, pelo que, a partir de 28 de Fevereiro de 2013, às 20 horas, a sede de Roma, a sede de São Pedro, ficará vacante e deverá ser convocado, por aqueles a quem tal compete, o Conclave para a eleição do novo Sumo Pontífice. Caríssimos Irmãos, verdadeiramente de coração vos agradeço por todo o amor e a fadiga com que carregastes comigo o peso do meu ministério, e peço perdão por todos os meus defeitos. Agora confiemos a Santa Igreja à solicitude do seu Pastor Supremo, Nosso Senhor Jesus Cristo, e peçamos a Maria, sua Mãe Santíssima, que assista, com a sua bondade materna, os Padres Cardeais na eleição do novo Sumo Pontífice. Pelo que me diz respeito, nomeadamente no futuro, quero servir de todo o coração, com uma vida consagrada à oração, a Santa Igreja de Deus".

Como fica a Igreja? Já se disse que há um milagre garantido na História, o fato de o Espírito Santo, por caminhos que podem passar pelas virtudes ou defeitos humanos, tem sempre alguém preparado para ser Papa! Nossa geração é privilegiada, pois a Igreja teve papas de grande capacidade humana, teológica e sabedoria para conduzi-la. Se em outras épocas da história alguns dos sucessores de São Pedro não tiveram conduta pessoal ilibada, impressiona o fato de que a nenhum deles o Senhor permitiu ensinar o erro. A promessa de Cristo se realiza com fidelidade: " Eu te digo: tu és Pedro, e sobre esta pedra edificarei a minha Igreja, e as forças do Inferno não poderão vencê-la. Eu te darei as chaves do Reino dos Céus: tudo o que ligares na terra será ligado nos céus, e tudo o que desligares na terra será desligado nos céus” (Mt 16,18-19). Nossa Arquidiocese quer rezar, pedindo as luzes do Espírito Santo para os Cardeais eleitores, a fim de que escolham o novo Papa com segurança.

"O anjo falou comigo e disse: 'Vem! Vou mostrar-te a noiva, a esposa do Cordeiro'. Então me levou em espírito a uma montanha grande e alta. Mostrou-me a cidade santa, Jerusalém, descendo do céu, de junto de Deus, brilhando com a glória de Deus" (Ap 21,9). Somos caminheiros, olhando para frente e para o alto, certos que a esposa do Cordeiro, a Igreja, Jerusalém do alto, nossa mãe, foi resgatada pelo Sangue do Cordeiro. Já o salmista cantava que nela estão todas as nossas fontes! (Sl 86,7). Do alto do Tabor (Cf. Lc 9,28-36), descendo pelas planícies do mundo, resplandeça na face de todos os cristãos, filhos da Igreja, a luz do rosto transfigurado de Cristo!

Dom Alberto Taveira Corrêa

Arcebispo Metropolitano de Belém