A fé que cura

Na véspera do Dia Mundial do Doente

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MADRI, sexta-feira 10 de fevereiro de 2012 (ZENIT.org) -. Oferecemos aos nossos leitores um artigo de Monsenhor Juan del Río Martín, Arcebispo militar da Espanha, sobre o Dia Mundial do Doente, que a Igreja celebra neste 11 de fevereiro, dia de Nossa Senhora de Lourdes.

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A Mensagem de Bento XVI para a celebração do XX Dia Mundial do Doente tem como lema: "Levanta-te, vai: a tua fé te salvou" (Lc 17,19). Seu objetivo é incentivar os doentes e necessitados a encontrar na fé em Deus o suporte seguro que dá sentido a qualquer doença humana.

A luta contra a doença e a prevenção da mesma, é característico das sociedades modernas desenvolvidas. Em compensação, os países pobres não têm os meios científicos e técnicos para a mínima assistência sanitária. Para ambos os mundos a doença ainda representa um mistério insondável. É uma lembrança contínua de que a vida é luta, que tem data de validade e que o paraíso da saúde permanente não existe. Isso, para o homem pós-moderno e secularizado é o grande fracasso humano, que escapa, disfarça ou oculta a impossibilidade da sua validade.

Hoje, nos sistemas sanitários prevalecem os critérios económicos, cientificistas, competitivos e de prestígio. Marginaliza-se ou ignora-se a perspectiva transcendente da pessoa que, em última análise, é a que dá sentido à incompreensível dor. Isto faz com que o doente seja um objeto experimental, um número, um leito, um custo. Por esta razão, é inevitável colocar um sistema de saúde mais ético, mais humano, mais justo, onde o doente tenha um rosto sofredor e humano.

O cristianismo nunca negou a doença, a dor, a morte, mas preparou os homens para que passassem por essa carga, ensinando sempre a ser solidários e caridosos com os que sofrem qualquer padecimento. O Papa nos recorda que: "Deus, no seu Filho, não nos abandona nas nossas angústias e sofrimentos, está junto de nós, nos ajuda a levá-los e deseja curar o nosso coração no mais profundo."

A fé em Cristo não elimina o sofrimento, mas o ilumina, o eleva, o purifica, o sublima, o torna válido para a eternidade. Essa experiência, coloca o doente num modo de viver e de se relacionar bem diferente daqueles que vivem a mesma realidade, mas sem referência a um Deus que quer sempre o nosso bem, ainda que às vezes não o vejamos. A confiança e o seguimento a esse médico que é Jesus de Nazaré (Mt 9,12, Mc 2,17, Lc 5,31), faz que consigamos a saúde integral, já que como diria Santo Agostinho: "Cristo é na realidade o médico sábio e onipotente, que quis curar as doenças do corpo para se manifestar como salvador das almas. " (Sermão 84,4).

A mensagem pontifícia recorda que "o binômio entre saúde física e renovação da alma dilacerada nos ajuda a entender melhor os sacramentos da cura." A terapia da fé que cura começa com a oração humilde e constante do aflito e da comunidade que está ao redor do paciente. A Igreja, como continuadora do trabalho e da missão do seu Senhor, oferece os "remédios espirituais" dos sacramentos da Penitência e da Unção. São momentos privilegiados onde os doentes se enfrentam com sua própria vida, reconhecem os erros e os fracassos e sentem o bálsamo da reconciliação com Deus, com os irmãos e consigo mesmos. Não são "analgésicos mentais", nem impedem que as ciências médicas e sanitárias façam o seu trabalho, mas são realidades da graça sobrenatural que curam o coração quebrantado da pessoa que passa pelo teste do sofrimento e da proximidade do seu fim. Isto tem como resultado a paz de espírito que possibilita viver com dignidade e humanidade no "leito da dor."

Isso não pode dar, nem mesmo a mais avançada ciência médica, e nem a simples assistência social sanitária, porque o doente é uma pessoa, um espírito encarnado e como tal tende à sua finalidade. Como disse Agostinho de Hipona: "Fizeste-nos, Senhor, para ti, e nosso coração está inquieto enquanto não repousar em ti" (Conf. 1,1).

+ Juan del Río Martín

[Tradução Thácio Siqueira]