A fenomenologia como um instrumento de terapia psicológica (Parte I)

Entrevista com a psicóloga Maria Izabel de Aviz

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Por Thácio Siqueira

BRASILIA, sexta-feira, 09 de novembro de 2012 (ZENIT) – Mestre em psicologia, Maria Izabel de Aviz (CRP: 01/10262), em entrevista exclusiva à ZENIT, explica o sucesso do seu método terapêutico, que a cada dia atrai mais e mais pacientes provenientes de todas as partes do Brasil, que são atraídos também pela brevidade e eficácia da terapia.

A psicóloga Maria Izabel de Aviz mora em Brasília, onde também tem o seu consultório. É graduada em psicologia pela Pontifícia universidade católica do Paraná em 1978. Especializada em recursos humanos pela FAE/ Curitiba e Mestre em Psicologia pela Universidade Católica de Brasília em 2010.

Irmã do Cardeal Dom João Braz de Aviz, atual prefeito da Congregação para os Institutos de Vida Consagrada e as Sociedades Apostólicas, a psicóloga Maria Izabel de Aviz, desde 1997 atende como psicoterapeuta utilizando a fenomenologia como ferramenta no seu tratamento.

Para maiores informações: mabelaviz@gmail.com

Publicamos a seguir a primeira parte da entrevista. A segunda e a terceira parte serão publicadas respectivamente nos dias 12 e 13 de novembro.

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ZENIT: O que é a fenomenologia?

Maria Izabel: Vamos começar entendendo um pouquinho o que é fenomenologia. Fenomenologia é uma escola filosófica fundada por Edmund Husserl, que começou na Alemanha, no fim do século 19 e na primeira metade do século 20; portanto fenomenologia é uma filosofia.

A palavra fenomenologia tem origem grega e é formada de duas partes: “fenômeno” que significa “aquilo que se mostra”; não somente aquilo que aparece, mas aquilo que se manifesta, que se mostra; e “logia” que deriva da palavra “logos”, que para os gregos tinha muitos significados, mas neste caso da fenomenologia, vamos tomar a palavra “logos” como pensamento, como capacidade de refletir”. Então podemos entender fenomenologia como reflexão sobre um fenômeno ou sobre aquilo que se mostra.

Mas nos perguntamos: o que é que se mostra? E como se mostra? Esse é o nosso problema! Quando em fenomenologia dizemos que alguma coisa se mostra, estamos dizendo que essa coisa se mostra para nós, se mostra para o ser humano, se mostra para a pessoa humana; e isso faz toda a diferença e tem grande importância para nós hoje porque as coisas se mostram para nós; isto é, nós é que buscamos o significado, o sentido daquilo que se mostra para nós. Mais do que dizer que ”as coisas se mostram”, precisamos dizer que “percebemos, que estamos voltados para essas coisas” que se mostram para nós, principalmente para aquilo que aparece no nosso mundo físico.

Quando dizemos “coisas” não tratamos apenas do significado de coisas físicas, mas também das coisas abstratas e a um conjunto de situações, como por exemplo, o significado de coisa cultural, eventos, fatos, que não são de ordem estritamente física. Todas as coisas que se mostram para nós as tratamos como fenômenos que conseguimos compreender o sentido. O que mais interessa a nós pessoas humanas é compreender o sentido delas e não o fato delas se mostrarem. Aqui podemos perceber a grande contribuição de Husserl para ajudar a psicologia, (que é uma ciência particular e não uma filosofia) a compreender esse sentido que nem sempre é compreendido imediatamente. Precisamos fazer uma série de operações para podermos identificar o sentido de tudo àquilo que se manifesta a nós; e essas operações estão no campo de pesquisa da psicologia.

O grande desafio da filosofia hoje e também o seu problema é buscar o sentido das coisas, dos fenômenos, tanto de ordem física quanto de caráter cultural, religioso etc., que se mostram á pessoa humana, no seu viver cotidiano.

ZENIT: A fenomenologia pode ser um instrumento de terapia psicológica?

Maria Izabel: Essa foi a descoberta mais importante que fiz na minha vida profissional e para o meu agir psicológico. Quando percebi a riqueza, a segurança e a profundidade do método fenomenológico proposto por Husserl comecei a me entender como um profissional mais responsável e mais capaz de ajudar no sofrimento das pessoas que me procuravam para fazer a psicoterapia.

A fenomenologia não é psicologia, ela é uma filosofia que diz que o ser humano é um inteiro formado por partes, formado por vários âmbitos que não podem ser separados do inteiro. Para podermos ver o ser humano na sua inteireza precisamos alargar os nossos horizontes, caso contrário não compreenderemos o ser humano na sua totalidade e certamente cometeremos erros nos usos que fazemos dos nossos métodos terapêuticos.