A fenomenologia como um instrumento de terapia psicológica (Parte II)

Entrevista com a psicóloga Maria Izabel de Aviz

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BRASILIA, segunda-feira, 12 de novembro de 2012 (ZENIT) – Mestre em psicologia, Maria Izabel de Aviz (CRP: 01/10262), em entrevista exclusiva à ZENIT, explica o sucesso do seu método terapêutico, que a cada dia atrai mais e mais pacientes provenientes de todas as partes do Brasil, que são atraídos também pela brevidade e eficácia da terapia.

A psicóloga Mariz Izabel de Aviz mora em Brasília, onde também tem o seu consultório. É graduada em psicologia pela Pontifícia universidade católica do Paraná em 1978. Especializada em recursos humanos pela FAE/ Curitiba e Mestre em Psicologia pela Universidade Católica de Brasília em 2010.

Irmã do Cardeal Dom João Braz de Aviz, atual prefeito da Congregação para os Institutos de Vida Consagrada e as Sociedades Apostólicas, a psicóloga e psicoterapeuta Maria Izabel, desde 1996 utiliza a fenomenologia como ferramenta no seu tratamento.

Para maiores informações: mabelaviz@gmail.com

Publicamos a seguir a segunda parte da entrevista e a terceira parte será publicada amanhã, dia 13 de novembro. A primeira parte foi publicada na sexta-feira (09)

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ZENIT: Desde quando a senhora se enveredou por esse caminho? Qual é a sua formação psicológica?

Dra. Maria Izabel: Na minha graduação, a formação que me foi transmitida estava fundamentada em métodos interpretativos e em métodos de redução do comportamento humano ao comportamento animal. Isso me fez desacreditar da psicologia e abandoná-la por 18 anos. Comecei a conhecer a fenomenologia no ano de 1997, quando me submeti a uma psicoterapia de bases fenomenológicas, que aplicava ao sofrimento do paciente, uma parte do método fenomenológico proposto por Husserl. Essa psicoterapia e a relação terapêutica vivenciada em cada sessão da terapia com o meu terapeuta, me fez entender qual e como deveria ser o meu agir como um profissional psicólogo. Comecei então a buscar informações, orientações, cursos, livros, pessoas que me ensinassem a fazer a prática do método fenomenológico. Para mim não era mais uma questão só profissional, mas também pessoal. A tal ponto me envolvi com a fenomenologia, que hoje tenho dificuldades para aceitar que ela não seja ensinada e praticada nas escolas e na formação das pessoas; mesmo porque, Husserl propõe o método e a análise fenomenológica como um processo muito simples e natural para se poder perceber, conhecer e entender a pessoa humana na sua totalidade, unicidade e complexidade. Existem coisas que o ser humano não conhece, mas existem coisas que só o ser humano pode e é capaz de conhecer.

ZENIT: Quais são as referências mundiais na utilização dessa metodologia em terapias psicológicas?

Dra. Maria Izabel: Desde o seu começo a psicologia conhece a proposta filosófica da fenomenologia que é de “conhecer como é o ser humano e como o ser humano conhece”. Desde o inicio da psicologia a fenomenologia propõe o “saber como é o ser humano, quais as suas capacidades superiores, para depois poder dizer como o ser humano é feito”; no entanto, a forte influência do positivismo que impôs a jovem ciência da psicologia a demonstração dos estados psíquicos usando os esquemas das ciências físicas, suas medidas e representações, distanciou a fenomenologia da psicologia, e deu grande ênfase aos métodos interpretativos e reducionistas para demonstrar e/ou conhecer o ser humano. Hoje um grande número de profissionais da área de ciências humanas faz um grande esforço para demonstrar que “o ser humano compreende muita coisa, mas não se compreende dentro dessa posição positivista”.

Não existe uma psicologia pura como ciência positiva. A ciência positiva não é a única  base da psicologia, porque a psicologia não nasce só dos fatos. A psicologia precisa aproximar-se da filosofia para que esta lhe diga como é o ser humano. Isso está impulsionando a psicologia a buscar novamente estabelecer com a fenomenologia e a antropologia, uma relação que lhe dê acesso ao conhecimento puro do ser humano e a utilização de instrumentos próprios da fenomenologia para compreender a estrutura da pessoa humana. O agir psicológico hoje se tornou impossível sem a base da filosofia.

Vou citar aqui como minha referência, a filósofa contemporânea Angela Ales Bello que é professora emérita de História da Filosofia Contemporânea na Universidade Lateranense de Roma, e dirige o Centro Italiano de Pesquisas Fenomenológicas, associado ao The World Phenomenology Institute e faz parte do conselho de redação de várias revistas italianas e estrangeiras. As suas publicações são predominantemente voltadas à investigação da fenomenologia alemã do século 20, comparada a outras correntes do pensamento contemporâneo, com especial referência aos temas de Edmund Husserl e Edith Stein.

(Leia a parte I desta entrevista: http://www.zenit.org/article-31734?l=portuguese)