A fenomenologia como um instrumento de terapia psicológica (ParteIII)

Entrevista com a psicóloga Maria Izabel de Aviz

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BRASILIA, quarta-feira, 14 de novembro de 2012 (ZENIT.org) – Mestre em psicologia, Maria Izabel de Aviz (CRP: 01/10262), em entrevista exclusiva à ZENIT, explica o sucesso do seu método terapêutico, que a cada dia atrai mais e mais pacientes provenientes de todas as partes do Brasil, que são atraídos também pela brevidade e eficácia da terapia.

A psicóloga Mariz Izabel de Aviz mora em Brasília, onde também tem o seu consultório. É graduada em psicologia pela Pontifícia universidade católica do Paraná em 1978. Especializada em recursos humanos pela FAE/ Curitiba e Mestre em Psicologia pela Universidade Católica de Brasília em 2010.


Irmã do Cardeal Dom João Braz de Aviz, atual prefeito da Congregação para os Institutos de Vida Consagrada e as Sociedades Apostólicas, a psicóloga Maria Izabel, desde 1996 atende como psicoterapeuta utilizando a fenomenologia como ferramenta no seu tratamento.
Para maiores informações: mabelaviz@gmail.com


Publicamos a seguir a terceira parte da entrevista. A segunda foi publicada segunda(12) e a primeira parte no dia 09 de novembro.


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ZENIT: Quais dificuldades a pessoa pode superar com esse método?
Dra. Maria Izabel: A fenomenologia se preocupa em perceber o sentido do fato e a psicologia se preocupa em conhecer o processo que leva àquele fato. A compreensão dessa relação entre a filosofia fenomenológica que nos dá a estrutura da pessoa humana e o processo psicológico voltado para a subjetividade da pessoa que o vivencia e que só pode firmar-se dentro do si mesmo da pessoa, dá ao psicólogo a possibilidade da epoché (redução fenomenológica, que era o estilo próprio de Husserl fazer sua pesquisa). Entender a passagem de como as vivências que estão dentro de nós transcendem as coisas que estão fora de nós, nos faz compreender: a relação de mim comigo mesmo, de mim com o outro semelhante a mim, de mim com o outro diferente de mim e de mim com as coisas sem vida.
Com esse método todas as vivências humanas podem ser analisadas, sejam elas consideradas positivas ou negativas, boas ou ruins, dificuldades ou possibilidades, porque essa relação permeia os estados corpóreos, os psíquicos e os que transcendem o corpo e o psíquico da pessoa humana. Podemos escolher o que queremos, mas precisamos conhecer o que escolhemos.

ZENIT: Normalmente, qual é a sua proposta? Necessita-se de muito tempo para começar a dar-se conta da melhoria?
Dra. Maria Izabel: A psicoterapia que proponho no meu consultório é uma psicoterapia breve, onde procuro desenvolver da melhor forma que dou conta a epoché, ou redução fenomenológica proposta por Husserl, para conhecer junto com o meu paciente o sentido do seu sofrimento.
È uma psicoterapia de relação; é uma psicoterapia vivencial onde é evidenciada a capacidade da pessoa humana de se explicar e de se entender a si mesma através das suas vivências. Mas tudo isso é feito de um modo muito natural, nada complicado, tudo é muito simples e do jeito que a pessoa dá conta das suas vivências. A postura terapêutica é de aceitação e compreensão dos recursos que nascem da subjetividade do paciente, sem impor ou cobrar dele o que o terapeuta considera, conhece ou quer. Na sessão de terapia se vivencia e se busca juntos, do jeito que tanto o paciente quanto o terapeuta dão conta de chegar a vivência que deu origem ao sofrimento do paciente. O fio condutor é a análise da vivência.Só então o paciente é solicitado a se posicionar em relação àquela vivência.

ZENIT: Há muita procura, em Brasília, para essa terapia?
Dra. Maria Izabel: Há. E impulsionada pela responsabilidade da minha experiência com o sofrimento humano no meu consultório, pretendo aprofundar sempre mais o estudo e a pesquisa da fenomenologia para ajudar a psicologia e a psicoterapia a responderem de maneira mais eficaz e profunda os anseios da pessoa humana.
Quero poder dar aos meus pacientes e as pessoas que me procuram para desvendar as causas psicológicas dos seus sofrimentos, condições de traçar um caminho próprio no conhecimento de si mesmos, possibilitando o confronto dos dizeres da fenomenologia com os seus empenhos pessoais. Acredito que é partindo das nossas vivências dentro de nós que percebemos e podemos conhecer como somos feitos e o que é verdadeiramente humano.