A festa de Babette

Um dos filmes preferidos do Papa Francisco

Viena, (Zenit.org) Felipe Bezerra | 1992 visitas

É conhecido que um dos filmes preferidos do Papa Francisco é Babette's Feast (A festa de Babette), um filme dinamarquês de 1987, do gênero drama, dirigido por Gabriel Axel, e com roteiro baseado em conto de Karen Blixen.

Sem dúvidas esse é um filme bom para os católicos. Argumento irrefutável: Está na lista dos filmes recomendados pelo Vaticano. Estamos na Dinamarca no século dezenove, duas irmãs filhas de um Pastor tem a chance de deixar o vilarejo onde moram mas optam por ficar ao lado do Pai. Após a morte deste acolhem uma francesa que pede trabalho em troca de abrigo. Por ocasião do centenário do nascimento do pai as irmãs decidem fazer um jantar e Babette pede para se encarregar do banquete com um típico jantar francês.

Vamos aos ingredientes. Primeiro, a fotografia. Em um filme o que aparece ao redor e atrás dos personagens é muito importante, não é legal ver num filme de cavalaria um avião no céu por exemplo. Observe como a luz nesse filme vem do lado, veja as sobras na parede nas cenas internas, é muito característico dessas casas a principal iluminação vir das janelas, do exterior, não há energia elétrica na época, é um detalhe importante que não foi negligenciado e cria um realismo fantástico. É proposital a forma como o angulo da câmera é sempre fechado nas cenas exteriores dentro do vilarejo e normalmente bem aberto fora dele. Atenção para a cena onde o cantor Papin está melancólico, é uma das paisagens mais bonitas do filme. Essa poesia dos detalhes, uma troca de olhares do Pai com as filhas, Babette que caminha no por do Sol, tudo isso da ao filme uma grande riqueza.

O segundo ingrediente fundamental. Personagens e diálogos. Cada um dos personagens aparece com uma história, a narradora está ai para introduzi-los. Cada um vai se transformando no decorrer do filme. Todos os diálogos e cada personagem existem para desenvolver a mensagem do filme. Preste atenção em especial ao militar Lorens, é nele a mudança mais clara, mas cada um vai, evoluindo, aprendendo, se transformando com o que a vida ensina.

Ingrediente principal o conteúdo, o cerne, e como ele é passado. É um filme sobre como as vaidades dessa vida passam, como nem sempre as ambições preenchem o vazio interior mas que a beleza, a bondade e a arte são para sempre. No cerne é um filme sobre a eternidade por isso a cena final é de uma poesia encantadora. Por essa razão é um filme tão bom, por que nos fala da arte como reflexo do que não passa. No final da carta aos artistas o Papa João Paulo II os conclama para que a sua "arte contribua para a consolidação duma beleza autêntica que, como revérbero do Espírito de Deus, transfigure a matéria, abrindo os ânimos ao sentido do eterno!" (Parágrafo 16)

Fonte: http://www.projecoesdefe.com/2013/01/a-festa-de-babette.html