A figura do pai na "idade de ouro" da TV

Conferência na Universidade Pontifícia da Santa Cruz aborda a questão

Roma, (Zenit.org) Ann Schneible | 695 visitas

A imagem de paternidade na televisão de hoje foi o tema de uma conferência de dois dias, realizada na Pontifícia Universidade da Santa Cruz (PUSC), em Roma.

A figura do pai nas séries de televisão foi o tema da última conferência do ciclo "Poesia, Comunicação e Cultura", organizado a cada dois anos pela Faculdade de Comunicação da PUSC.

A conferência tem como objetivo fornecer um estudo sobre a paternidade tal como retratada nas séries de TV mais populares, em particular no tocante ao papel do pai na família, à ausência da figura paterna e à relação entre pai e filhos.

A sessão de ontem começou com a apresentação da "idade de ouro" na ficção televisiva, a cargo do professor Alberto Nahum García, da Universidade de Navarra. A seguir, a escritora e jornalista do canal TG3 Costanza Miriano, mãe de quatro filhos, falou do papel do pai na família, e Alberto Fijo, editor do jornal Fila Siete e redator-chefe da Aceprensa, analisou três séries de televisão britânicas: Dowtown Abbey, Luther e The Hour.

O pe. John Wauck, professor de comunicação institucional na PUSC e um dos moderadores da conferência, disse a ZENIT que o tema deste ano foi escolhido, em parte, para "chamar a atenção sobre o importante papel da paternidade em muitos programas de televisão de hoje".

Como universidade pontifícia, disse o professor, "estamos interessados ​​principalmente em questões teológicas e, muitas vezes, em questões antropológicas, filosóficas e morais. No ambiente acadêmico, às vezes nos esquecemos de que não é necessariamente nos livros didáticos e nas salas de aula que essas questões são desenvolvidas".

Alguns dos participantes, continuou ele, observaram que “estamos numa idade de ouro da televisão”, com enorme quantidade de tempo para contar histórias longas e complicadas através de uma tecnologia similar à utilizada nos filmes. Em termos de qualidade, a diferença entre a televisão e os filmes se reduziu muito".

Ao contrário do filme, observou Wauck, que geralmente dura em torno de duas horas, a série de televisão é capaz de mergulhar em questões complexas sobre a vida e a existência, ao longo de várias e várias horas. "Questões de identidade e paternidade, relação entre pais e filhos, questões éticas que envolvem o exercício da autoridade do pai, a reação das crianças à presença ou ausência do pai, os vários defeitos ou falhas dos próprios pais; todas essas questões podem ser tratadas com mais detalhe nas séries de TV. Não é um filme que precisa resumir tudo em duas horas".

O objetivo da conferência da faculdade de comunicação não é oferecer uma solução para os problemas da família, mas identificar a crise do ponto de vista da televisão. "Muitas vezes, em muitas séries de televisão, o problema é a ausência de um pai ou um pai que é inadequado. Muitas figuras paternas dos programas de televisão são profundamente falhas; isso quando estão presentes", observa Wauck, acrescentando que, "às vezes, a história da paternidade numa série é a própria ausência do pai, como acontece na sociedade em geral".

Embora a maioria dos programas de TV examinados sejam britânicos ou norte-americanos, os participantes do encontro são quase todos espanhóis e italianos. "Há uma dimensão internacional muito grande nesta conferência, não apenas pelos vários países envolvidos, mas também porque as diferenças culturais entre os programas estão sendo analisadas. Podemos olhar para as séries de TV americanas com um olhar um pouco diferente do de um comentarista americano".

O pesquisador também considera significativo que uma das palestrantes, Costanza Miriano, diz não ter tempo para ver televisão. "Este é um ponto que vale a pena levar em conta numa conferência como esta, porque levanta a seguinte questão: se os pais não têm tempo para assistir aos programas em que se fala da paternidade, então quem é que assiste? Provavelmente, não são pessoas com filhos".