A figura do pregador sagrado

Como melhorar a pregação sagrada: coluna do Pe. Antonio Rivero, L.C., professor de Teologia e Oratória no seminário Mater Ecclesiae de São Paulo

São Paulo, (Zenit.org) Pe. Antonio Rivero, L.C. | 1662 visitas

Prosseguimos agora com a figura do pregador sagrado.

Vejamos agora as atitudes que favorecem a comunicação do pregador

Primeira, a aceitação incondicional do outro. Só assim pode haver comunicação. Só assim o ouvinte não será usado como um meio ou objeto para se atingir um fim. Só assim o ouvinte escutará o pregador e o aceitará. Os ouvintes não são inimigos do pregador, mas seus irmãos. Assim foi Jesus. O pregador não está acima de ninguém. Ele é um irmão mais velho que tenta explicar com carinho a palavra de Deus e coloca à disposição dos seus irmãos menores o que ele aprendeu. Não é uma autêntica obra de misericórdia?

Segunda, a compreensão empática. “Colocar-se na pele do outro” para ver o mundo com os olhos do outro. Os ouvintes esperam do pregador que não haja nada verdadeiramente humano que não ecoe no seu coração. Esperam compreensão “das alegrias e das esperanças, das tristezas e das angústias dos homens do nosso tempo, em especial dos pobres e de todos os que sofrem” (Gaudium et Spes, 1).

E terceira, a autenticidade. O pregador tem que se mostrar do jeito que ele é. Para ser  autêntico, não basta um pré-aquecimento na preparação imediata da prédica; é necessária uma experiência da vida sacerdotal. O ouvinte pode aceitar tanto melhor a mensagem da pregação quanto mais o pregador estiver vivendo o que prega, com autenticidade. Não se trata de falar do que foi lido, mas do que foi vivido. Ninguém dá o que não tem. O lema do cardeal Newman era: “Cor ad cor loquitur”, “o coração fala ao coração”.

O predicador vai crescendo em idade, sabedoria e graça. Vejamos agora as idades do pregador.

O pregador jovem. O primeiro perigo, normal, é a falta de material e, por consequência, o palavreado vazio. Outro perigo é a escassa maturidade. As vantagens da juventude são o fogo, a intensidade e a energia. A entrega se aprende na juventude. Por isso, urge que o pregador jovem prepare a fundo as suas prédicas, com bons comentários de Santos Padres ou de autores provados em homilética.

O pregador maduro. A maturidade preserva da exaltação juvenil e da resignação da velhice. As vantagens da idade adulta são a maturidade crescente e a força tranquila, recolhida. As pregações se tornam mais profundas e mais ricas, graças à experiência que se tem das alegrias e das esperanças, das tristezas e das angústias dos homens do nosso tempo. O perigo está na rotina e no estancamento, que impedem renovar-se nas ideias e na forma de dizê-las.

O predicador ancião. Com a velhice, começa o perigo do cansaço. Prega-se com base no passado, não no presente. O pregador ancião não deve parecer cansado, mas bondoso; não senil, mas sábio.

Quero terminar esta parte sobre o pregador com este texto que encontrei, chamado “O decálogo do pregador”[1]:

1. Não subas ao púlpito sem saber o que vais dizer. E quando tiveres dito, desce: não te prolongues inutilmente.

2. Traça o roteiro do que vais dizer: no papel ou na cabeça.

3. Procura despertar no ouvinte o interesse pelo que dizes, ou ele se desligará da tua pregação.

4. Quanto disseres, seja proveitoso para o ouvinte. A missão do pregador não é entreter, mas evangelizar.

5. A brevidade não é o supremo dos valores: não devemos sacrificar o importante em prol do breve. Mas é verdade que “o bom, se breve, é bom em dobro”.

6. Fala com naturalidade: o teatral pode repelir.

7. Procura falar de modo que todos te entendam, mas com toda a precisão para que os cultos aceitem o que dizes.

8. Para comunicar uma ideia, é necessário que estejas convicto dela: não pregues o que não vives.

9. Se te serves de aparatos técnicos, preocupa-te de que funcionem perfeitamente. É um desprestígio para o evangelho usar aparelhos ruins enquanto o mal se difunde com técnica excelente. A boa tecnologia pode e deve ser posta a serviço da evangelização.

10. Não pretendas jamais o teu sucesso pessoal, e sim o bem das pessoas. O êxito deve ser apenas para facilitar a evangelização.

O artigo da semana passada pode ser lido clicando aqui

Padre Antonio Rivero tem licenciatura e doutorado em Teologia Espiritual pelo Ateneu Pontifício Regina Apostolorum em Roma. Atualmente exerce seu ministério sacerdotal como professor de teologia e oratória, e diretor espiritual no Seminário Maria Mater Ecclesiae do Brasil.

Caso você queira se comunicar diretamente com o Pe. Antonio Rivero escreva para arivero@legionaries.org  e envie as suas dúvidas e comentários.

[1]  Cortesia do site de informação para sacerdotes www.vidasacerdotal.org