A grandeza da humanidade determina-se essencialmente na relação com o sofrimento

Mons. Zimowski explica que não há civilização, se não se curam os enfermos

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CIDADE DO VATICANO, sexta-feira 10 de fevereiro, 2012 (ZENIT.org). - Sábado, 11 de fevereiro é comemorado em todo o mundo a Jornada Mundial do Enfermo. Para a Igreja Católica esta jornada tem um significado simbólico que vai além do aspecto civil, porque o cristianismo nasceu e se espalhou pelo mundo devido à caridade evangélica que envolve a todos no cuidado, na atenção, e na partilha com os mais fracos.

A Jornada coincide com a memória litúrgica da Beata Virgem de Lourdes e nos lembra que Maria não abandona nunca a humanidade. É justo Ela, na verdade, a mais eficaz mediadora das necessidades dos humanos, e é ela a maior consolação.

Para entender melhor a importância desta Jornada e o modo como a Santa Sé se prepara para celebrá-la, ZENIT entrevistou o Arcebispo Zygmunt Zimowski, presidente do Pontifício Conselho para a Pastoral no campo da saúde.

O que é a Jornada Mundial do Doente e quando foi criada?

Mons. Zimowski: Foi o Beato João Paulo II que decidiu, em 1992, celebrar anualmente no dia 11 de Fevereiro, para coincidir com a memória litúrgica de Nossa Senhora de Lourdes, a "Jornada Mundial do Enfermo".

"Em Cristo, todo homem se torna o caminho da Igreja", tinha mostrado o Beato na Carta Encíclica Salvifici Doloris, e isso acontece especialmente quando na vida da pessoa "entra o sofrimento" [1].

A Jornada Mundial constitui de fato um encontro marcado de primeira grandeza quando se considera também que, como destacado pelo Santo Padre Bento XVI na Encíclica Spe Salvi, "A grandeza da humanidade determina-se essencialmente na relação com o sofrimento e com quem sofre. Isto vale tanto para o indivíduo como para a sociedade. Uma sociedade que não consegue aceitar os que sofrem e não é capaz de contribuir, mediante a com-paixão, para fazer com que o sofrimento seja compartilhado e assumido mesmo interiormente é uma sociedade cruel e desumana. "[2].

Quanto aos objetivos da celebração, foram bem delineados na Carta que o instituía: sensibilizar o Povo de Deus e, consequentemente, as inúmeras instituições sanitárias católicas e a mesma sociedade civil, à necessidade de assegurar os melhores cuidados para os doentes; de ajudar aqueles que estão doentes a valorizar, no plano humano e especialmente naquele sobrenatural, o sofrimento; a envolver de modo particular as dioceses, as comunidades cristãs, as famílias religiosas na pastoral sanitária; a favorecer o compromisso sempre mais valioso do voluntariado; a chamar a atenção sobre a importância da formação espiritual e moral dos trabalhadores sanitários e, finalmente, para fazer entender melhor a importância da assistência religiosa aos doentes por meio de sacerdotes diocesanos e regulares, e daqueles que vivem e trabalham ao lado dos que sofrem. "

Há vinte anos do dia da Instituição dessa Jornada, qual pode ser o balanço?

Mons. Zimowski: Celebrada pela primeira vez em 1993, a Jornada Mundial do enfermo, tem ao longo do tempo adquirido a ressonância e a importância internacional que lhe é devida. Embora, sem dúvida, ainda há caminho para percorrer. Há Igrejas Locais e Particulares que programam a celebração de uma maneira oportuna e mais do que suficiente. Entre elas podemos destacar o engajamento contínuo da Igreja espanhola e irlandesa.

Sempre coroada por uma mensagem especial do Santo Padre, que constitui a plataforma da programação, a Jornada do Doente trouxe sem dúvida muitos benefícios para os que sofrem e para as pessoas próximas a eles, os agentes de pastoral e todas as pessoas que são responsáveis pelos enfermos. Não há dúvida também que, tratando-se da Salus, portanto, da saúde integral da pessoa, não é possível formular ‘dados estatísticos’.

Voltando à mensagem do Papa, o tema deste ano foi “Levanta e vai; a tua fé te salvou"(Lucas 17,19). Divulgado algumas semanas atrás nas diferentes línguas, o documento é objeto de profundas reflexões que, certamente, nos enriquecerão também em face dos futuros compromissos no mundo da saúde.

Em quais países o evento foi comemorado de forma solene?

Dom Zimowski: A primeira ‘etapa’, se podemos falar assim, foi Lourdes em 1993, onde a Jornada foi celebrada também uma segunda vez, em 2004. Em 1994 houve em Czestochowa, na Polônia, e as edições posteriores foram realizadas na Costa d’Avorio, no México, em Portugal (Fátima), em Loreto, em Beirute (Líbano), em Roma no 2000 e no 2010, na Austrália no 2001 e no 2006, na Índia, EUA, Camarões e Coréia. Desde 2007 é de três em três anos e a próxima celebração solene está prevista para Altötting na Alemanha em 2013. Como antecipado pelo Papa Bento XVI na sua mensagem deste ano, o tema condutor está centrado na figura do Bom Samaritano.

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[1] Cf., Beato João Paulo II, Papa, Carta Apostólica Salvifici doloris, No.3

[2] S.S. Papa Bento XVI, Carta Encíclica Spe Salvi, 38

Antonio Gaspari

[Tradução Thácio Siqueira]