A história de uma peruana católica assassinada pelos nazistas

Madeleine Truel ajudou a salvar centenas de judeus

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Sergio Mora

ROMA, quarta-feira, 27 de junho de 2012 (ZENIT.org) - Os peruanos que morreram em campos de concentração nazistas foram 22, até onde se sabe. Entre eles, está Madeleine Truel, nascida em Lima em 1904. Vivendo na França, ela se uniu à resistência contra os nazistas, motivada pelos valores cristãos herdados da família e do colégio em Lima, e assim ajudou a salvar muitas famílias judias.

Um documentário recupera a memória deste caso que lembra "A Lista de Schindler". Narrado em 29 minutos, o filme se baseia no livro Estação Final, de Hugo Coya, e será apresentado no Congresso do Peru em 13 de julho. No dia seguinte, poderá ser visto também no YouTube. Em 27 de julho será transmitido pelo canal de televisão peruano RTV.

“É um documentário que resgata uma personagem esquecida, uma cidadã peruana que nos dá uma grande lição”, observa o embaixador do Peru junto à Santa Sé, Cesar Castillo, presente no evento. Ele recorda que Truel “chegou à França com profundos valores éticos e cristãos obtidos em Lima no colégio religioso de São José de Cluny, que a motivaram a se unir à resistência quando as forças alemãs invadiram a França”.

O filme, com roteiro e direção de Luis Cam, jovem professor da Universidade San Martín de Porres, foi apresentado à imprensa italiana na noite de ontem, 27, legendado em italiano.

De pais franceses e família numerosa, Madeleine recebeu desde cedo os valores cristãos. Órfã de ambos os pais, mudou-se com os irmãos para a França aos 24 anos e estudou filosofia na Sorbonne. Frequentava em Paris a igreja de São Francisco de Sales, entre o Arco do Triunfo e Montmartre.

Após a invasão alemã, intensifica-se a resistência na França. Começam as deportações de judeus para os campos de concentração. Madeleine ajuda a preparar documentos falsos para famílias judias, a fim de facilitar-lhes a fuga. Não se sabe exatamente quantos judeus foram salvos por ela. O que se sabe é que ela produziu documentos durante dois anos, até cair nas mãos da Gestapo.

Os nazistas a torturaram porque Madeleine não revelava os nomes de judeus que conhecia. Levada para o campo de concentração de Sachsenhausen, na Alemanha, sua força se alicerçava na leitura de uma bíblia. No lager a 35 quilômetros de Berlim, ela viveu a caridade de maneira heroica: nunca perdeu a alegria, compartilhava a ração alimentar com quem precisava mais do que ela e encorajava os prisioneiros narrando histórias do Peru, o que lhe valeu o apelido de “Passarinho das Ilhas”.

Madeleine morreu em 3 de maio de 1945, espancada pelos nazistas em um dos chamados "caminhos da morte", poucas horas antes da chegada das tropas russas.

Antes de ser enterrada, uma de suas companheiras lhe pôs a sua pulseira judaica, para que ela fosse identificada como vítima do ódio nazista. Foram postos sobre seu peito gerânios vermelhos e brancos, em honra da sua cidadania peruana. Seu nome aparece no memorial dos deportados da França durante a Segunda Guerra Mundial, diante da catedral de Notre Dame de Paris.

O documentário contém breves entrevistas com profissionais como Gustavo Gorrit, Hugo Coya e León Trahtemberg, além de Gonzalo Rosselló Truel, primo de Madeleine.

O vídeo de divulgação do documentário pode ser acessado em:  http://www.youtube.com/watch?v=bmQHtCHXDxs.

(Trad.ZENIT)