A Igreja condena duramente os crimes de honra no Paquistão

Após o assassinato de Farzana Parveen Bibi, "culpada de ter se casado com um homem contra a vontade de sua família, chegam as condenações do Arcebispo emérito de Lahore e do primeiro ministro do Paquistão

Roma, (Zenit.org) Redacao | 526 visitas

"Condenamos firmemente o assassinato brutal de Farzana Parveen Bibi, uma mulher grávida, apedrejada até a morte pelos seus familiares em Alta Corte de Lahore", disse à agência Fides mons. Lawrence Saldanha, Arcebispo emérito de Lahore, depois do brutal assassinato da mulher paquistanesa acontecido no passado dia 27 de maio. A culpa de Farzana, de acordo com seus agressores, era ter se casado com um homem, Mohammad Iqbal, contra a vontade de sua família.

"O crime de honra é um costume antigo difundido na sociedade paquistanesa, que deve ser erradicado o mais rápido possível - disse o Arcebispo -. Esta prática cruel não pode existir em uma moderna sociedade democrática em que o direito à vida de cada pessoa (homem , mulher, criança) deve ser respeitado e defendido".

O bispo diz ser "deplorável” que a jovem tenha sido lapidada pelos seus familiares na praça da Alta Corte de Lahore e que ninguém, “nem sequer os agentes da polícia em serviço”, tenha feito algo para evitar o trágico massacre. "A morte do bebê no seu ventre é mais uma tragédia", comenta ainda mons. Saldanha, que, finalmente, diz: "Precisamos aumentar a conscientização em todos os níveis da sociedade no Paquistão para eliminar o mal social do crime de honra: só dessa forma a morte de Farzana e do seu bebê inocente não serão em vão”.

Sobre a questão do crime de honra interveio ontem o primeiro-ministro do Paquistão, Nawaz Sharif, que chamou essa prática de "totalmente inaceitável" e pediu ao governador do Estado de Punjab para tomar "medidas imediatas" e apresentar até hoje um relatório detalhado sobre o assassinato de Farzana Parveen Bibi.

A esperança é que as palavras do primeiro-ministro possam representar um avanço para a mudança. Estima-se que a cada ano no Paquistão aconteçam centenas de crimes de honra. Só em 2013, afirmam fontes da sociedade civil, 900 mulheres foram mortas por suas famílias, por razões semelhantes às que levaram à morte de Farzana e seu bebê. (F.C./Trad.TS)