A Igreja da China está no meu coração

Encontros do papa Francisco com o cardeal Tong. Comunidade em Hong Kong é uma ''Igreja-ponte'' com o continente

Roma, (Zenit.org) | 599 visitas

Durante a missa celebrada na catedral da Imaculada Conceição em Hong Kong no dia 8 de abril, solenidade da Anunciação, o bispo local, cardeal John Tong Hon, relatou três breves encontros que teve em Roma com o papa Francisco, no dia da sua eleição e em datas seguintes. Tong, único cardeal chinês que foi eleitor no conclave, contou que o novo papa lhe disse que "a Igreja na China estava muito presente no seu coração".

Os três breves encontros entre o papa Francisco e o cardeal Tong já tinham sido mencionados no jornal da diocese de Hong Kong, o Sunday Examiner, na edição de 6 de abril. Mas foi no dia 8 de abril que o cardeal se expressou mais detalhadamente sobre o assunto, aproveitando a homilia na catedral, conforme o relato da agência Eglises d'Asie (9 de abril).

As primeiras palavras entre o cardeal e o papa aconteceram em 13 de março, na Capela Sistina, pouco depois da quinta rodada de votações entre os cardeais e da eleição de Francisco. Depois que Bergoglio aceitou a eleição, os cardeais foram dar seu testemunho de afeto à pessoa do novo papa. O cardeal Tong entregou ao santo padre uma pequena estátua de bronze de Nossa Senhora de Sheshan, réplica da imagem que reina no alto do santuário mariano situado perto da cidade de Xangai. A imagem é conhecida como Nossa Senhora da China.

Em italiano, o cardeal Tong se dirigiu ao papa Francisco dizendo: "Os católicos na China o amam e oram por sua santidade. Pedimos também o seu amor por todos os católicos chineses; por favor, ore por nós". O papa respondeu sorrindo: "Os católicos chineses deram grandes testemunhos à Igreja universal”. Em 8 de abril, o cardeal manifestou a grande emoção que sentiu: "Para a minha grande surpresa, ele pegou a minha mão direita e beijou o meu anel episcopal para demonstrar o seu amor e devoção pela Igreja na China; um gesto que me impressionou muito".

Dois dias mais tarde, conta o cardeal, enquanto ia para a capela da Casa Santa Marta, no Vaticano, ele encontrou o novo papa no elevador. Novo intercâmbio: "O papa Francisco me agradeceu de novo pela imagem e me disse que a tinha colocado no seu quarto, porque ela lembrava para ele o jesuíta São Francisco Xavier, que chegou até as portas da China há mais de 460 anos. Ele também me disse que não se esquecia de orar pelos católicos da China".

Durante a missa celebrada aquele dia na presença dos cardeais, o papa evocou a figura de Santo Inácio de Loyola, cujo ensinamento era não esquecer jamais os sofrimentos de Cristo "quando estamos submersos nas dificuldades, porque é assim que Deus nos ajuda a entrar no mistério da Ressurreição". Nova surpresa para o cardeal Tong: no fim da homilia, o papa lhe agradeceu publicamente, de maneira totalmente inesperada, pela imagem de Maria. Um pouco mais tarde, no mesmo dia, quando o papa recebeu os cardeais um por um na sala Clementina, Tong aproveitou para lhe agradecer pelo "amor e oração" pelos católicos da China.

No terceiro breve intercâmbio, em 20 de março, dia seguinte à missa de início do ministério do novo papa, Tong foi se despedir antes de partir para Hong Kong e teve a surpresa de ver de novo o papa lhe pegar a mão direita e beijar novamente o seu anel episcopal. Em italiano, Francisco lhe disse as seguintes palavras: “A Igreja na China está no meu coração”.

Para o cardeal de Hong Kong, os gestos e as homilias do papa Francisco “refletem os valores do evangelho e levam as pessoas para o Senhor Jesus”.

Em sua homilia de 8 de abril, recordando a preocupação pastoral dos papas João Paulo II e Bento XVI pela Igreja da China, o cardeal Tong reiterou que a comunidade católica em Hong Kong estaria sempre disposta a cumprir a missão que lhe foi confiada como "Igreja-ponte" entre os católicos da China e da Igreja universal.