A Igreja do sim, a Igreja do não, e a harmonia do Espirito Santo

Na homilia de hoje, Papa Francisco destaca que quando nós não deixamos o Espirito Santo trabalhar, começam as divisões na Igreja

Roma, (Zenit.org) Salvatore Cernuzio | 588 visitas

Houve num determinado período uma "Igreja do não" que discutia com a "Igreja do sim". Interveio então o Espírito Santo e trouxe harmonia entre as duas posições ... Papa Francisco é eficaz e original ao narrar, com seu estilo catequético, a disputa no interior da antiga igreja de Jerusalém ao anunciar o evangelho entre os pagãos.

Mais uma vez, o Santo Padre celebrou a santa missa para os funcionários do Vaticano, hoje, um grupo de funcionários dos museus, na Capela de Santa Marta. Na homilia da missa, concelebrada pelo Cardeal Albert Malcolm Ranjith Patabendige, o Papa centrou-se na ação da terceira pessoa da Trindade, o Espírito Santo, que, "por trás das cenas", faz o trabalho "pesado".

O Papa, para explicá-lo, voltou no tempo, para a Igreja que depois de Pentecostes deu seus primeiros passos para fora, para as "periferias da fé", para anunciar o Evangelho. Os discípulos de Jerusalém não tinham todos os objetivos claros, sobretudo, no que diz respeito ao acolhimento dos pagãos na Igreja.

Começaram a surgir, então, "muitas opiniões". O Papa explicou: diante de «uma Igreja do “Não, não se pode; não, não, deve-se, deve-se, deve-se”», contraposta à «Igreja do “Sim: mas... pensemos nisto, abramo-nos, há o Espírito que nos abre a porta”».

Portanto, «o Espírito Santo devia desempenhar a sua segunda função: realizar a harmonia destas posições, a harmonia da Igreja, entre eles em Jerusalém e entre eles e os pagãos.

“É um grande trabalho, que o Espírito Santo realiza desde sempre na história –comentou o Santo Padre -e quando não o deixamos trabalhar, começam as divisões na Igreja, as seitas, todas estas coisas, porque nos fechamos à verdade do Espírito».

Recordando as palavras de Tiago, o Justo, primeiro bispo de Jerusalém, Papa Francisco, em seguida, apontou a base da polêmica da Igreja primitiva. “Quando o serviço ao Senhor se torna um jugo muito pesado, as portas das comunidades cristãs fecham-se: ninguém quer vir ter com o Senhor”.

"Nós, no entanto, - continuou Francisco - acreditamos que através da graça do Senhor Jesus somos salvos. Primeiro, a alegria do carisma de proclamar a graça, depois, vemos o que fazer. Esta palavra, jugo, entra no meu coração, na minha mente ".

Levar hoje o jugo – destacou – significa permanecer no amor de Cristo, como Ele nos pede. Amor que " nos leva a ser fiéis ao Senhor" e a observar seus mandamentos: "porque eu amo o Senhor, não faço isso", disse o Papa.

Surge, portanto, uma "comunidade do sim," comunidade "de portas abertas", de amor. E “quando uma comunidade cristã vive no amor, confessa os seus pecados, adora o Senhor, perdoa as ofensas, pratica a caridade com os outros e é manifestação do amor, depois sente a obrigação da fidelidade ao Senhor de seguir os mandamentos. É uma comunidade do “sim” e os “nãos” são consequência deste “sim””.

Portanto - concluiu o Papa - precisamos pedir a Deus que “o Espírito Santo nos assista sempre para que nos tornemos uma comunidade do amor. Do amor a Jesus que nos amou muito”. Comunidade “do “sim” que leva a cumprir os mandamentos (…) E que nos livre da tentação de nos tornarmos talvez puritanos, no sentido etimológico do termo, de procurar uma pureza para-evangélica, uma comunidade do “não”.