A Igreja italiana segundo Bergoglio

O Papa não propõe aos bispos da CEI um "modelo estrangeiro" ao contrário convida a Igreja a entrar na realidade social e cultural do país

Roma, (Zenit.org) Alfonso M. Bruno | 371 visitas

A Igreja italiana tem como Primaz, o Bispo de Roma, porque este Ordinário também é chefe de todos os católicos, desde 1978 o nosso país tem o privilégio de conferir a sua primazia a um bispo do exterior.

Isso não significa que a Igreja Italiana adquire características que são estranhas à realidade do país, mas certamente a aquisição do que é positivo e adaptável às nossas características específicas em diferentes experiências.

Bergoglio é um estrangeiro particular; talvez ele possa ser melhor descrito como um “italiano diaspórico”: há muitos no mundo e, particularmente, nas Américas.

Entre eles, não há dúvida, existem aqueles que mantêm uma imagem idealizada da pátria de origem, que se contentam com uma imagem ‘folclórica’ do país de proveniência, mas também que medita sobre a própria condição: o exílio, na maioria dos casos, determinado pelas condições econômicas de um país que foi por muito tempo pobre e que, infelizmente, volta a ser.

Não esqueçamos de que Jesus viveu a condição de exilado, quando sua família teve que fugir para o Egito. E agora, o “italiano diaspórico”, paradoxalmente, se encontra em uma posição privilegiada para compreender os problemas deste país, pois pode refletir sobre as causas profundas da sua própria condição, o porque - como costumava dizer – a casa foi madrasta para ele, em relação a seus pais, para com os seus antepassados.

Além disso, a distância - não tanto a espacial, mas das paixões condicionantes que agitam o local de origem - faz com que ele seja por um lado, um espectador, mas por outro lado imparcial.

O Presidente Kennedy, em visita a uma pequena cidade da Irlanda, onde seu bisavô nasceu, dirigindo-se aos conterrâneos, disse: "Estou de volta". Também Bergoglio, afinal, falando aos Bispos na condição de conterrâneo, poderia dizer-lhes o mesmo. Ele acrescenta, no entanto, logo depois, ter encontrado "uma sociedade sem esperança, abalada em suas certezas fundamentais, empobrecida por uma crise, em vez de econômica, cultural, moral e espiritual".

E acrescenta: "Acolham a cultura, protegei-os com respeito à memória da fé e a companhia da Igreja, sinais de fraternidade, gratidão e solidariedade".

Esta atitude, no entanto, deve caracterizar os cristãos não apenas com relação aos imigrantes, mas também a todo o corpo social, que é composto pela diversidade, por religiões, crenças, formações.

Chegamos à essência da "revolução" Bergoglio: a Conferência Episcopal tem sido até agora portadora dos chamados "valores não negociáveis​​", que resultam como tais enquanto definem a atitude do cristão diante das grandes escolhas morais da vida.

É necessário promover a participação dos católicos na vida cívica e em particular nas suas expressões políticas - onde essa palavra indica a pertença a "polis", compreendido como um lugar de discussão e de busca do bem comum - de modo que os fiéis, em vez de isolar -se da sociedade, oferecem a sua contribuição ao mesmo tempo fiel e original.

Don David Albertario, uma das grandes figuras do catolicismo social italiano, processado juntamente com Filippo Turati pelos eventos de 1898 em Milão, disse: "A sociedade deve caminhar compactada em direção ao seu objetivo final". E hoje, de acordo Bergoglio, são "os sinais de fraternidade, de gratidão e de solidariedade que antecipam nos dias do homem os reflexos do Domingo sem fim".

Esta visão teleológica da história da humanidade, do Bispo de Roma não admite – naquilo que ele chama de "emergência histórica" – a diminuição da "responsabilidade social de todos: como Igreja, nós ajudamos a não ceder ao catastrofismo e à resignação".

Como não colher nestas palavras uma referência ao atual conflito na Itália entre aqueles que apostam em catástrofe para obter poderes ditatoriais e que se esforçam para salvar o salvável? A sociedade é salva do desastre - adverte o Papa - apenas permanecendo unida: e a Igreja deve ser promotora e participante desta unidade, e não constituir-se um fator de divisão.

Paulo VI – recorda Bergolgio- havia proposto à Igreja "o serviço para unidade", quando dirigiu-se aos bispos italianos: "Está na hora (e do que lamentar-se?) de dar a nós mesmos e de imprimir na vida eclesiástica italiana um forte e renovado espírito de unidade".

"Nada - diz o Bispo de Roma - justifica a divisão". Devemos evitar "a dureza de quem julga sem se envolver", bem como "a alegação dos que defendem a unidade negando a diversidade".

O esforço comum não deve excluir a "livre e ampla oportunidade de investigação, discussão e expressão”: Esta liberdade constitui, ao mesmo tempo o fim e o fundamento: apenas sendo "fermento de unidade" nós conseguiremos "ser uma profecia do Reino".

(Trad.:MEM)