A Igreja luta ainda contra a miséria de crianças brasileiras e contra a desigualdade social

Missionário Mexicano, Pe. Hector Ruiz, narra a sua experiência no Brasil

Brasília, (Zenit.org) Thácio Siqueira | 1311 visitas

A Igreja luta ainda contra a miséria de crianças brasileiras e contra a desigualdade social. Uma prova disso ZENIT encontrou num sacerdote mexicano missionário em terras brasileiras, Padre Héctor Ruiz.

Padre Héctor é sacerdote missionário há doze anos atuando na periferia da cidade de Recife, na paróquia São Lourenço da Mata.

Publicamos a entrevista na íntegra:

ZENIT: O Senhor como um dos idealizadores da Associação “TIA” pode explicar, aos leitores de Zenit, um pouco do por que desta associação?

Padre Héctor: A nossa associação “TIA – Toda infância assistida” é uma resposta a uma das urgentes necessidades deste povo do Nordeste do Brasil, que é a pobreza extrema em vastos grupos sociais. Por essa pobreza as crianças crescem desnutridas, as mães, quando estão ainda grávidas, tem a forte tentação de abortar porque não teriam como alimentar a criança; a mortalidade infantil aumenta...  o futuro dessas crianças fica comprometido, assim como o futuro da sociedade em geral. A “TIA” tem o propósito de fornecer alimento, vestido e remédio a crianças de zero a seis anos”, para que pelo menos vivam os primeiros anos de sua vida com um pouco mais de dignidade.

ZENIT: Em que paróquia o Senhor está servindo a Igreja?

Padre Héctor: Há doze anos começou o meu ministério sacerdotal na periferia de Recife, na paróquia de São Lourenço da Mata, onde está sendo construído a Arena Pernambuco, um dos estádios para o mundial de 2014. Terra da cana de açúcar, onde o cortador de cana tem trabalho por seis meses e por outros seis vive ou “quase vive” com o pouco que ganhou nesse triste trabalho.  

ZENIT: Se inspirou em alguma obra da Igreja?

Padre Héctor: Os Legionários de Cristo me ensinaram a cultivar uma sensibilidade social. Até cheguei a ensinar Doutrina Social da Igreja no seminário de Brasília por um ano. Para mim não é novidade que a  Igreja se preocupe, com prioridade, dos mais fracos. Ela sempre tem sido a inspiradora da minha vida. Sempre tem incentivado a distribuição mais equitativa das riquezas. Como é possível, eu me perguntava, que um sacerdote, que quer servir à Igreja, vendo o desequilíbrio existente nesta área do Brasil, fique com os braços cruzados? A população que estamos atendendo está a somente 50 quilômetros de um rico centro urbano, que é Recife. É uma vergonha que, em quanto se podem ver luxuosíssimas residências nessa cidade, tenhamos crianças que, esqueléticas e desnutridas vivem vestindo só uma calça suja, brincando sobre o chão de terra batida das suas apertadas casas. Era para mim uma urgência criar ao menos uma associação que fosse canal entre ricos e pobres.

ZENIT: Como a associação “TIA” consegue ser este canal?

Padre Héctor:  A verdade é que até agora reunimos poucos desses “super-ricos” e “super-poderosos”. Conseguimos mais apoio da classe média. E por isso reforçamos nosso projeto de reunir o maior número de padrinhos que mensalmente contribuam com algo para uma das crianças da associação. A ideia é que funcione como um banco, em que o padrinho deposita dinheiro para o seu afilhado(a) e a associação entrega o equivalente em vestido, comida ou remédio, segundo as necessidades dele(a). Sendo o padrinho informado, periodicamente, pela associação sobre a situação de seu afilhado.

ZENIT: Hoje quantas crianças são atendidas pelos programas da “TIA”?

Padre Héctor: Neste momento estamos atendendo 78 crianças, que vão de zero aos seis anos. Evidenciando que esse “zero”, inclui também bebes no seio materno. Precisamente para evitar a tentação que poderia ter a mãe de abortar por não ter recursos e sentir-se desprotegida. Poderíamos ter centenas e milhares de crianças porque realmente a pobreza é muita, mas por falta de voluntários não podemos ampliar o círculo de ajuda.  

ZENIT: Então a associação “TIA” é de voluntários?

Padre Héctor: Exatamente. O corpo diretivo, composto por doze membros, não recebe nada. Tudo é por bondade de coração. Embora a associação tenha que ter alguns profissionais para realizar determinadas funções para o bom funcionamento da associação.

ZENIT: Como assim?

Padre Héctor: Às vezes é necessário contratar um psicólogo, para também dar atendimento aos pais e às crianças necessitadas desse tratamento, ou chamamos a um palestrante para dar formação aos pais... Essas coisas são, certamente, pagas.

ZENIT: Qual o Ano de Criação da Associação? Após estes primeiros anos já é possível olhar para trás e contemplar que a associação têm feito à diferença na sociedade?

Padre Héctor: Nós começamos faz nove anos. Temos atendido já muitas crianças, que saem do projeto quando cumprem os sete anos. Não temos dado, ainda, tudo o que gostaríamos dar. Mas a semente plantada está crescendo e estamos conseguindo  algumas coisas. A cada ano organizamos quatro festas com presentes, brinquedos, comida e muitas diversões... Também aproveitamos essa ocasião para dar formação familiar às mães. Nos falta ainda exigir dos pais destas crianças, que dêem uma hora de trabalho semanal gratuito a alguma associação beneficente, reconhecida pela “TIA”, para que não seja tudo assistencialismo, que pode alimentar, por outro lado, preguiça e irresponsabilidade com outros males.

ZENIT: Como os leitores de Zenit podem conhecer melhor o Projeto? E caso queiram adotar uma criança é possivel? quais os contatos?

Padre Héctor: Podem enviar um email para:  paroquiaslm@hotmail.com . Ou ainda, ligar por telefone: 55-81-35250277      .