A Igreja na América, ícone contra a corrupção

Entrevista com o Cardeal de Santo Domingo sobre a próxima visita do Papa

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ROMA, quinta-feira, 15 de dezembro de 2011(ZENIT.org) – A visita do Papa a América Latina além de motivo de alegria, recorda o compromisso da Igreja pelos direitos humanos e sua posição clara e firme diante de alguns fatores negativos, como a violência e o narcotráfico, pois em geral a Igreja é a única instituição que não foi infiltrada pelo narcotráfico e a corrupção.

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Falou ao ZENIT o Cardeal de Santo Domingo Nicolás de Jesús López, em entrevista concedida depois da celebração de Bento XVI, na basílica de São Pedro em honra à Virgem de Guadalupe.

Bento XVI, em sua homilia na missa pela festividade da Virgem de Guadalupe, confirmou sua viagem: “Sustentado pelo auxílio da providência divina, tenho a intenção de realizar uma viagem apostólica antes da santa Páscoa ao México e a Cuba, para proclamar ali a Palavra de Cristo”, disse. Neste momento, os milhares de latino americanos que se encontravam na basílica o interromperam de pé com um caloroso aplauso.

A viagem do Papa em março, apesar de ser apenas para dois países dos 32 da região, é sentido por toda a América Latina como se fosse “em casa”. Por isso perguntamos ao cardeal Nicolás de Jesús, o impacto que terá na região.

Depois de cinco anos que a América Latina parecia ter sido esquecida, agora começam a abrir-se uma série de visitas do Papa, a da Jornada Mundial da Juventude no Rio de Janeiro em 2013, em março na América Latina.

Cardeal De Jesus: É isso, indiscutivelmente a visita do papa Bento XVI, bem como as 18 que fez João Paulo II, é um motivo de alegria sentido por todos os nossos países. Esta visita acontece no contexto do bicentenário e sem dúvidas, também tem uma razão. Estes povos nasceram, podemos dizer, nos braços da Igreja, e certamente temos que dizer: os missionários assim que chegaram, defenderam os direitos dos indígenas.

Poderia nos explicar alguma coisa a mais sobre a defesa dos direitos dos indígenas?

Cardeal De Jesús: Recentemente foi realizada na minha cidade, a apresentação de um livro escrito na Espanha sobre os direitos humanosem Santo Domingo.Nãoqueremos entrar em discussão com as Nações Unidas que invocou os direitos humanos como nascidos com a revolução francesa. Entretanto, estes professores da Complutense disseram: andem a San Ferín  e ali, antes de 1511, os direitos humanos foram defendidos da forma mais brilhante e coerente.

E no que se refere ao bicentenário da independência de diversos países da América Latina?

Cardeal De Jesús: Para mim, com certeza, é motivo de alegria que o Santo Padre tenha aceitado a sugestão de celebrar esta missa por ocasião do bicentenário. Porque a Igreja católica não esteve alheia a estes eventos. Inclusive Simon Bolívar enviou uma carta muito bonita ao Papa, pedindo-lhe para nomear bispos nativos da América, porque a separação destes países da Espanha não queria dizer que eles o fizeram da igreja católica. Muito significativa a existência desta carta. Por isso eu digo, estamos muito contentes com esta celebração, e espero que a visita de Bento XVI confirme as solicitações dos papas para a América.

A primeira evangelização foi na América Latina, agora surge uma nova evangelização. Qual é a maior dificuldade para aceitar a fé, que é o que o Papa vai despertar?

Cardeal De Jesús: Acho que existe uma série de problemas universais. Indiscutivelmente existe um novo contexto cultural que influencia: Europa, Estados Unidos, etc. Mas existem outras realidades que preocupam muito os latino americanos, como a violência na América Latina, o narcotráfico e mesmo a corrupção que é algo que atinge a consciência latino americana, eu acredito que são fenômenos registrados por todas as partes. A Igreja reage frente a violência e a corrupção?

Cardeal De Jesús: O problema tem raízes profundas. Estas pessoas têm a capacidade, a habilidade de penetrar através do dinheiro em diversas camadas. Estes dias, eu ouvi dizer que a igreja católica era a única instituição que até agora não foi penetrada pelo narcotráfico na América Latina. Creio que é possível afirmar issoem geral. Além disso, é difícil dizer, mas temos que reconhecer que o dinheiro corrompe e está prejudicando muitas consciências.

Diante disso qual é a mensagem da Igreja?

Cardeal De Jesús: Neste sentido a Igreja deve manter uma posição muito clara, exatamente em defesa da verdade, da justiça, da paz, do respeito a todas as pessoas e inclusive por aqueles que não têm fé alguma, respeito por todos. E, é claro, estamos abertos ao diálogo, até mesmo com os diversos grupos religiosos.

Por H.Sergio Mora