A Igreja não deve ser "privatizada": temos que rezar pela sua unidade

Audiência geral: papa Francisco nos convida a superar as divisões entre as comunidades cristãs

Roma, (Zenit.org) Luca Marcolivio | 809 visitas

A Igreja Católica é verdadeiramente una. Com base neste conceito, expresso pelo credo e pelo catecismo, o papa Francisco articulou a sua catequese na audiência geral desta manhã, na Praça de São Pedro.

Embora a Igreja seja composta por 3.000 dioceses espalhadas pelo mundo inteiro e por "muitas línguas" e "muitas culturas", a sua unidade é uma grande certeza. Referindo-se ao catecismo (nº 161), o Santo Padre recordou que "a unidade na fé, na esperança, na caridade, a unidade nos sacramentos, no ministério, é como os pilares que sustentam e mantêm unido o único grande edifício da Igreja".

Mesmo "na menor paróquia do canto mais distante da Terra, a Igreja é una", é "uma só para todos". A Igreja é uma família cujos membros “podem estar dispersos por todo mundo”, mas "fortes laços" os mantêm "firmes, seja qual for a distância".

Um exemplo desses laços universais foi a Jornada Mundial da Juventude, no Rio de Janeiro: "Naquela vasta multidão de jovens na praia de Copacabana, ouviam-se falar muitas línguas, viam-se traços muito diferentes uns dos outros, encontravam-se culturas diversas, mas havia uma profunda unidade", recordou o papa.

Diante de uma situação como esta, o católico pode viver plenamente a unidade ou ser indiferente, fechado em si mesmo ou no seu "pequeno grupo": é a atitude daqueles que "privatizam" a Igreja para o seu próprio grupo ou para os "seus amigos".

Mesmo havendo no mundo cristãos que estão sofrendo, ainda há quem fique indiferente. Deveria ser, porém, "como se alguém da família estivesse sofrendo". Por isso, é importante orar "pelos outros", "olhar para fora da própria redoma, sentir-se Igreja, uma família de Deus".

Infelizmente, até mesmo dentro da família eclesial surgem "incompreensões, conflitos, tensões, divisões que a ferem. A Igreja não tem, assim, o rosto que gostaríamos, não mostra o amor que Deus quer", disse o papa.

As "dilacerações" no seio da Igreja são sempre obra do homem, e envolvem, por exemplo, as divisões entre "católicos, protestantes, ortodoxos".

Essas incompreensões devem ser superadas, porque "Deus nos dá a unidade", mesmo que "achemos difícil vivê-la". É essencial viver a unidade da Igreja na comunhão, "começando pela família, pelas realidades eclesiais, no diálogo ecumênico", sugeriu o papa.

Francisco citou São Paulo: "um só corpo, o de Cristo, que recebemos na Eucaristia; um só Espírito, o Espírito Santo, que anima e recria continuamente a Igreja; uma só esperança, a vida eterna; e uma só fé, um só batismo, um só Deus e Pai de todos" (Ef 4-6).
Todo cristão deve perguntar a si mesmo: "Eu faço crescer a unidade na família, na paróquia, na comunidade? Ou sou motivo de divisão, de desconforto? [...] Eu tenho a humildade de cuidar com paciência, com sacrifício, das feridas na comunhão?".

O verdadeiro "motor" da unidade da Igreja é, no entanto, o Espírito Santo. "A nossa unidade não é primariamente resultado do nosso consenso", nem do "nosso esforço para estar de acordo com os outros, mas vem dele, que faz a unidade na diversidade, porque o Espírito Santo é harmonia".

Francisco terminou a catequese recomendando aos fiéis ser "homens e mulheres de comunhão" e de "unidade na oração”. E levantou ao céu a seguinte oração: "Peçamos ao Senhor que nos conceda ser cada vez mais unidos, para nunca mais sermos instrumentos de divisão; que nos esforcemos, como diz a bela oração franciscana, para levar o amor onde houver ódio, o perdão onde houver ofensa, a união onde houver discórdia".