A Igreja não é uma ONG. É uma história de amor

No discurso de abertura da 65ª Assembleia Geral da Conferência Episcopal Italiana, o cardeal Angelo Bagnasco cita o papa Francisco e sua proposta de renovar a beleza e a caridade

Roma, (Zenit.org) Antonio Gaspari | 562 visitas

"A Igreja não é uma ONG. É uma história de amor", disse o papa Francisco na homilia de 24 de abril. A frase foi repetida hoje, em Roma, pelo cardeal Angelo Bagnasco, no discurso de abertura da 65ª Assembleia Geral da Conferência Episcopal Italiana (CEI).

“Longe do olhar da fé”, disse o presidente da CEI, “não conseguimos entender nada do mistério da Igreja, e cada leitura o distorce, porque é mundana”.

"Isto não é resultado de nenhuma estratégia obscura. Não há mistério algum: é a extraordinária simplicidade de Deus, que escapa das complicações desagregadoras dos homens e que faz da Igreja o lugar em que Deus e o homem se encontram e, juntos, traçam o caminho".

O arcebispo de Gênova declarou que o início do pontificado do papa Francisco convida os bispos "a retornar à beleza e ao mistério da Igreja", recordando que Paulo VI, na conclusão do concílio Vaticano II, tinha afirmado que "para conhecer o homem, o verdadeiro homem, o homem integral, é preciso conhecer a Deus" e que "no rosto de cada homem, especialmente quando as lágrimas e sofrimentos o tornam transparente, podemos e devemos vislumbrar o rosto de Cristo".

Somente assim, dizia Paulo VI, "o nosso humanismo se torna cristianismo, e o nosso cristianismo se torna teocêntrico, de modo que possamos enunciar: para conhecer a Deus, devemos conhecer o homem".

Para evitar uma decadência sem futuro, o presidente da CEI repropôs o apoio à vida e à família. O cardeal relembra que "a família, patrimônio incomparável da humanidade, mais uma vez deu prova de si ao revelar-se a primeira e principal guarnição não só da vida, mas também das energias morais e da solidez social e econômica".
"É um bem universal. Demoli-la é um crime", disse o purpurado, pedindo que o grave problema demográfico seja levado em séria consideração.

"Para um futuro melhor, é necessária uma recuperação cultural para se discernirem as categorias conceituais e morais que descrevem ou deformam o alfabeto do humano, com os seus elementos fundamentais como a pessoa, a vida e o amor, o casal e a família, o casamento e a liberdade educativa, a justiça".

A este respeito, o presidente da CEI observou que "a necessidade urgente de superar a crise econômica não deve levar ao esquecimento do rosto delicadíssimo da vida humana".

Por esta razão, os bispos italianos se juntaram com firme convicção à iniciativa dos Movimentos pela Vida, que, na Europa, estão empenhados na coleta de um milhão de assinaturas para pedir que as instituições europeias reconheçam o estatuto do embrião e suspendam todo o financiamento destinado a experimentação com embriões humanos (iniciativa “Um de Nós”, www.unodinoi.mpv.org).

“A dor e o sofrimento que batem à porta de cada um”, concluiu o presidente da CEI, “são um apelo à sociedade como um todo para que ela seja o que deveria ser: uma comunidade de vida e de destino, em que ninguém é abandonado à própria sorte e onde todos são levados em conta e apoiados pela solidariedade do amor”.