A Igreja pede que a saúde seja acessível a todos os cidadãos

Participação da Santa Sé na Assembleia Mundial da Saúde

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GENEBRA, segunda-feira, 28 de maio de 2012 (ZENIT.org) - O arcebispo Zygmunt Zimowski, chefe da delegação da Santa Sé na 65ª Assembleia Mundial da Saúde, discursou no último dia 23 de maio em Genebra reafirmando o apoio vaticano à Resolução WHA64.9, sobre as “Estruturas de financiamento sustentável da saúde e da sua cobertura universal”, que insta os Estados-membros da União Europeia a tornarem a saúde pública acessível a todos com igualdade e solidariedade.

Dom Zimowski recordou a afirmação do papa Bento XVI: “É importante instaurar, também no campo da saúde, uma verdadeira justiça distributiva que garanta a todos, com base nas necessidades objetivas, os cuidados adequados. Por conseguinte, o mundo da saúde não pode subtrair-se às regras morais que devem governá-lo a fim de que ele não se torne desumano”.

O chefe da delegação da Santa Sé ressaltou que diversos países com economias emergentes estão avançando rumo à cobertura universal dos serviços de saúde, graças a boas políticas que promovem a igualdade. Por isto, assegurou que, “na tarefa de promover a cobertura universal, é necessário que valores fundamentais como a igualdade, os direitos humanos e a justiça social sejam objetivos explícitos da política”.

Zimowski fez um apelo por mais solidariedade dos países ricos com os menos favorecidos, a fim de que estes possam desenvolver sistemas assistenciais. E citou um parágrafo da encíclica Caritas in Veritate, em que Bento XVI afirma: “Os Estados economicamente mais desenvolvidos deveriam fazer o possível para destinar maiores porcentagens do seu produto interno bruto às ajudas para o desenvolvimento, respeitando os compromissos que assumiram (…) no âmbito da comunidade internacional”.

O arcebispo destacou que o esforço pela cobertura universal da saúde pública não pode ser obra apenas do Estado, mas também da sociedade civil. Entre as forças sociais comprometidas com esta meta, há mais de 120.000 instituições voltadas ao cuidado da saúde e à assistência social patrocinadas pela Igreja em todo o mundo, inspiradas pela caridade.

“A Igreja católica, em muitos países em vias de desenvolvimento (…), proporciona serviços em áreas remotas para populações rurais de baixa renda, permitindo que elas tenham acesso a serviços que, sem isto, ficariam fora do seu alcance”. 

O arcebispo encerrou suas palavras afirmando que “os esforços e a contribuição destas organizações para o acesso universal à saúde merecem reconhecimento e apoio dos Estados e da comunidade internacional. Os governos não podem obrigá-las a participar de atividades moralmente inaceitáveis e o seu carácter específico precisa ser respeitado”.