A Imaculada Conceição característica do pontífice Francisco

A América Latina é assinalada pela presença da Imaculada desde o séc. XVI

Recife, (Zenit.org) Pe. Rafael Maria, osb | 1146 visitas

A pouco tempo refletimos sobre a «Renuncia do Papa Ratzinger e Nossa Senhora da Conceição Aparecida». Agora propomos uma reflexão mariano-mariológico seguindo ainda os aspectos simbólicos dos acontecimentos da eleição do novo papa Francisco.

Oriundo da Argentina tem como padroeira Nossa Senhora de Lujan, que por sua vez é uma imagem de Nossa Senhora da Conceição ou da Imaculada Conceição. Sabemos que este título mariano sofreu ao longo da História da Igreja um percurso extenso de reflexão, debates, controvérsias, chegando a uma definição dogmática com Pio IX em 1854. Ganhou força ainda mais pelas mariofanias de Lourdes em 1858. As aparições de Lourdes, com todo o seu aspecto simbólico-teológico inerente evocam a volta às origens: gruta = útero; água (do rio e da fonte) = Cristo, que nos renova no Batismo; gestos penitenciais (de Bernadete e os pedidos de Maria) = voltar a graça perdida; o Terço = presença do divino, etc.

A América Latina é assinalada pela presença da Imaculada desde o séc. XVI em diversos países: México, Uruguai, Paraguai, Honduras, Buenos Aires, Brasil, Nicarágua, etc.

O significado teológico da Imaculada Conceição vem a ser a imunidade de Maria com relação ao pecado pelos méritos de Cristo Redentor. Dom de preservação que Deus concedeu a Maria de Nazaré para ser a mãe do seu filho, tornando-a cheia de graça. A questão dogmática mariana traz a tona o dogma do pecado original, de que todos nós fomos herdeiros e graças ao Batismo, tornamo-nos criaturas novas com oportunidade de darmos continuidade a santidade e a salvação. Maria é sinal de recomeço pela graça de Cristo..

A visita do Papa Francisco (14/03/2013) à Basílica de Santa Maria Maior, a primeira igreja no Ocidente dedicada à Nossa Senhora, depois do Concilio de Éfeso (431) é um sinal sublime, pois Sua Santidade sem duvida encontra em Maria o começo de tudo: escolha, serviço, reconciliação, perdão e renovação. Por ele escolher o nome de «Francisco» como todos sabemos, o «Pobrezinho de Assis» foi o recomeço de uma nova Igreja, não só voltada à simplicidade, mas ao amor por Jesus Cristo e aos irmãos. No séc. XIII, a Igreja sofreu uma guinada extraordinária com o chamado do Senhor a Francisco Bernardone, de uma vida dissoluta a «imago Christi», pobre e irmão de todos. De uma Igreja detentora do poder a uma Igreja humilde e serviçal. Para são Francisco, Nossa Senhora lhe inspirava e lhe comovia na sua vida pobre com seu filho Jesus e, a Ela consagrou sua Ordem. O Papa Bergoglio caracteriza seu pontificado com gestos e palavras de humildade convidando aos Príncipes da Igreja e, a nós, também, a volta às origens evangélicas. Indica com suas atitudes um convite já experimentado por ela como religioso jesuíta, sacerdote, bispo e agora pontífice. São lições significativas a todos nós que relutamos nos nossos patamares de poder em todos os sentidos e em todas as classes sociais. Descer do pedestal é preciso coragem. Voltar às origens ou a uma metanóia requer do cristão uma opção por Deus e pela sua própria santidade. O bem da Igreja (leigos e consagrados) depende deste gesto profético que Deus está nos proporcionando com o Papa Francisco. Quem vai ter coragem de fazer o mesmo?

Pe. Rafael Maria é formado em Teologia Monástica pelo Pontifício Ateneo Sant’Anselmo – Roma e doutor em Mariologia pela Pontifica Faculdade Teológica Marianum - Roma. Leciona um «Curso de Mariologia» via internet www.cursoscatolicos.com.br

Para maiores informações: d.rafaelmariaosb@hotmail.com