A imigração é provocada não só por incentivos materiais, mas também por fé e esperança

Mensagem de Bento XVI na 99ª Jornada Mundial do Migrante e do Refugiado

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Por Sergio Mora

VATICANO, terça-feira, 30 de outubro de 2012 (ZENIT.org) - A mensagem de Bento XVI para a 99ª Jornada Mundial do Migrante e do Refugiado foi apresentada hoje, na Sala de Imprensa da Santa Sé, pelo cardeal Antonio Maria Veglió, presidente do Pontifício Conselho da Pastoral do Migrante e pelo secretário do mesmo dicastério, o arcebispo dom Joseph Kalathiparambil.

O tema se relaciona com a nova evangelização: como indicado pelo papa na homilia deste domingo, muitos que ainda não conhecem a mensagem de Jesus Cristo vivem nos países de antiga evangelização.

O cardeal Veglió, com estatísticas em mãos, aponta que “o vasto fenômeno migratório impressiona por causa do grande número de pessoas que envolve”. Veglió citou o último relatório da Organização Mundial das Migrações (OIM), que calcula que os migrantes que partem para o exterior são cerca de 214 milhões, ou 3% da população mundial. Já a migração interna afeta aproximadamente 740 milhões de pessoas”, totalizando mais de um bilhão de pessoas migrantes no planeta, ou um sétimo da população mundial”.

O presidente do Pontifício Conselho da Pastoral do Migrante ressalta que, na “peregrinação existencial rumo a um mundo melhor”, os migrantes levam consigo sentimentos de fé e de esperança, “mesmo que não saibam direito o que estão procurando”.

“Dizer que eles apenas querem melhorar a sua situação econômica ou social é simplificar demais a realidade”, precisa o purpurado, destacando que nem todos os imigrantes consideram a sua viagem como um rumar para Deus, mas muitos deles têm a confiança de que Ele os acompanhará. “Entretanto, as pessoas que eles vão conhecer, em particular nos países de antiga evangelização, podem descobrir e experimentar a genuína bondade de muitas realidades eclesiais que acolhem e ajudam os recém-chegados”. O purpurado acrescenta que, “no vasto contexto das migrações, a Igreja é chamada a realizar a sua maternal solicitude sem distinções”.

Por este motivo, prossegue o cardeal, o papa indicou dois canais complementares. Um é composto pelas atividades de ajuda aos imigrantes, como as que são feitas nas emergências dos hospitais, que repercutem muito na mídia; já o segundo canal, que requer mais empenho e muitas vezes até uma mudança de mentalidade, é bem menos notado: consiste em favorecer a integração do imigrante no seu novo contexto cultural.

O cardeal Veglió recordou que a mensagem pontifícia mostra que as migrações compreendem direitos e deveres: por um lado, o dever de atender e cuidar dos imigrantes para que eles tenham uma vida decorosa; por outro, o dever deles de respeitar os valores da sociedade que os recebe.

“A Igreja tem um papel importante no processo da integração e ressalta a centralidade da pessoa com a recomendação de tutelar as minorias. Para isto, é preciso valorizar a sua cultura, a sua contribuição à pacificação universal, a dimensão eclesial e missionária do fenômeno migratório, a importância do diálogo e do debate no interior da sociedade civil, da comunidade eclesial e entre as diversas religiões”.

O arcebispo Joseph Kalathiparambil, por sua vez, sublinhou a dificuldade dos refugiados, em particular dos que pedem asilo e dos que sofrem medidas restritivas ao acesso a determinados países, como a complexa consecução dos vistos.

O secretário do dicastério acrescenta que as limitações “incentivam as atividades dos contrabandistas e dos traficantes e as perigosas travessias marítimas, que já viram desaparecer entre as ondas um excesso de vidas humanas”. Tudo isto ocorre, afirma Kalathiparambil, “apesar das obrigações da comunidade internacional de proteger os refugiados e os solicitantes de asilo”.

O arcebispo indiano reivindicou ainda elementos primários como “alimento, alojamento, vestuário e atenção médica, o direito ao trabalho e à livre circulação”. E diz que “nunca se enfatiza o suficiente o fato de que eles enfrentam viagens fora das suas fronteiras e sem documentos válidos de identidade”.

(Trad.ZENIT)