A martirizada terra mexicana pede um milagre de paz para karol wojtyla

Oitenta mil fiéis veneraram a relíquia do Beato, que tanto amou o país latino-americano

| 866 visitas

TIJUANA, quinta-feira, 17 de novembro, 2011 (ZENIT.org) - Nos dias passados, durante a sua estadia na Arquidiocese de Tijuana (no estado mexicano da Baixa Califórnia), a relíquia do Beato João Paulo II foi venerada por cerca de 80.000 pessoas nas três cidades que compõem a jurisdição eclesiástica local, Playas de Rosarito, Tecate e Tijuana.

O Papa peregrino continua assim a inspirar fervor no México, onde as pessoas vêm em massa a cumprimentar a urna e onde a sua visita pastoral trouxe uma grande alegria.

"É uma grande alegria – disse o arcebispo Rafael Romo -. Há muitas pessoas apesar da chuva. Um fator interessante é que justo quando (a relíquia) chegou em Rosarito, apareceu um duplo e completo arco-íris, de um extremo ao outro. Belíssimo como sinal".

Como relatou ao ZENIT a arquidiocese, foi um grande momento de alegria, uma extensão do grande evento que a Igreja mexicana acaba de viver, ou seja, o V Congresso Eucarístico Nacional, que aconteceu do 05 ao 09 de outubro passado, em Tijuana.

A relíquia permaneceu dois dias na Arquidiocese de Tijuana, do 12 ao 13 de novembro. Foi entregue na localidade de La Misión pela Diocese de Ensenada ao comitê organizador de Tijuana, às seis da manhã de sábado, 12 de novembro.

“Que a passagem da relíquia do Beato João Paulo II reavive o nosso compromisso cristão, o nosso compromisso apostólico, e nos una na intenção dos bispos do México para que a Igreja Católica, nós batizados, nos comprometamos em promover a justiça e a paz. Que haja paz e que nós sejamos promotores comprometidos pela justiça, a verdade e a paz. E que a benção do Senhor chegue por mediação do beato João Paulo II a todos nós e nos encoraje e nos conforte”, disse durante a breve cerimônia o vigário geral da diocese de Ensenada, Monsenhor Francisco Javier Jaime.

O coordenador da visita, Michaus Alessandro, confirmou que a presença de João Paulo II nas comunidades cristãs por meio da sua relíquia é para confirmar as pessoas na própria fé, na própria identidade batismal, e para descobrir o verdadeiro significado da vida. Quando a caravana tomou a estrada para Rosarito, lindos arco-íris cumprimentaram o Beato.

A primeira paróquia que recebeu a relíquia foi aquela do Santíssimo Sacramento em Rosarito, do 7 ao 11, sob o tema A Eucaristia e a reconciliação.

Depois foi então transferida para a velha catedral de Nossa Senhora de Guadalupe em Rosarito, onde esteve exposta do 12 ao 16. Aqui, o tema era a identidade cristã e o senso de pertença à Igreja.

A última parada foi a futura catedral de Rosarito, que abrigou a relíquia até a manhã seguinte, sob o tema A verdade do sacerdócio ministerial.

Nesta última igreja também foi celebrada a Eucaristia, presidida pelo vigário geral, monsenhor Juan Garcia Ruvalcaba, que contou com mais de mil fiéis. Centenas de pessoas fizeram fila para venerar a relíquia.

A partir das 22 horas até às 6 horas do domingo, 13 de novembro, os jovens de Rosarito fizeram uma vigília com a relíquia. À meia-noite, o arcebispo celebrou a missa para eles. Pela manhã, foi transferida para a paróquia do Imaculado Coração de Maria, em El Florido, onde foi exibida das  de 7 até às 13. O tema que acompanhou foi Maria, modelo de santidade.

A relíquia chegou no início da tarde na paróquia de Nossa Senhora de Guadalupe em Tecate, onde permaneceu até a manhã seguinte. A urna deixou a Arquidiocese de Tijuana, na manhã da segunda-feira, 14 de novembro, para chegar depois na diocese de Nuevo Casas Grandes, no Estado de Chihuahua.

Aqui, o Beato João Paulo II voltou para as terras do norte do México - como foi observado pela mídia local - as mesmas terras, que visitou no 10 maio de 1990, provocando como naquela ocasião novamente uma manifestação de fé transbordante. Centenas de pessoas vieram para venerar a relíquia do Papa "peregrino da paz", pedindo a sua intercessão para trazer de volta a paz nesta terra, tão afetada pela violência.

Às 09.15 na manhã de segunda-feira, o ginásio de esporte de Anahuac de San Buenaventura estava lotado de fiéis provenientes de vários locais para participar da Eucaristia presidida pelo Pe. Cesar Alejandro Gomez.

"O amor pode superar grandes obstáculos, o amor de Deus pode transformar o mundo": assim se lia em uma placa colocada à direita do altar, decorado com flores brancas e amarelas, e acompanhada pela imagem de Nossa das dores e de São Boaventura, o santo padroeiro do lugar. À esquerda do altar, outro cartaz dizia: "A paz exige quatro condições: verdade, justiça, amor e liberdade".

Depois de ter participado da Eucaristia, os fiéis fizeram fila para venerar a relíquia. Houve lágrimas de alegria, comoção e dor. Crianças, jovens, adultos e idosos, todos juntos, pediram a paz para o México.

Por volta das 13 horas, a caravana partiru para Nuevo Casas Grandes, passando pela escola técnica de ensino médio às 17, onde os alunos sairam para cumprimentar a relíquia. Em Lagunitas, o comboio foi recebido pelos idosos em cadeiras de rodas, que agitaram bandeirinhas.

Aguardando a caravana, dezenas de pessoas tinham decorado a praça principal de Galeana com balões brancos e amarelos e com bandeirinhas, enquanto cantavam "João Paulo II, o mundo inteiro te ama."

"Abram as portas à Cristo, abramos as portas dos nossos corações para que Jesus esteja sempre presente na nossa vida e nos dê a força necessária para ser elementos de paz nos nossos ambientes, para que com a visita de João Paulo II, a nossa alma esteja em paz , porque ninguém dá o que não tem", disse o administrador diocesano de Nuevo Casas Grandes, Mario Hernandez, acolhendo a relíquia na catedral da Medalha Milagrosa.

"Quem somos nós, que Deus na sua infinita Providência quis enviar este peregrino de paz por meio das suas relíquias?" Se perguntou. O sacerdote exortou os fiéis a rezarem pela paz, da qual "temos tanta necessidade no México e nas nossas comunidades, bem como da paz interior."

Então, a relíquia foi transferida para Ciudad Juarez, a cidade tida pela mídia como uma das mais violentas do planeta. O que esperam os mexicanos, tão amados pelo Papa beatificado, é um milagre de paz e de esperança.