A Nigéria deve agir para conter a violência

O diálogo entre os líderes religiosos é crucial, disse o diretor britânico da AIS

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ROMA, terça-feira, 10 de janeiro de 2012 (ZENIT.org) - O diretor da Ajuda à Igreja que Sofre (AIS) na Grã-Bretanha, Neville Kyrke Smith, disse que as autoridades da Nigéria, devem aumentar os esforços para acabar com a violência no norte do país, e advertiu que haverá mais mortes.

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Como relatado no site da AIS News em 09 de janeiro, Kyrke Smith incentivou os líderes religiosos - muçulmanos e cristãos - ao diálogo e a trabalhar pela paz. O diretor da organização britânica que defende os interesses dos cristãos perseguidos e em dificuldade, fez sua declaração depois da última onda de violência em que 30 pessoas foram mortas durante vários ataques contra os cristãos, no Estado Adamawa, nordeste do país.

Os ataques do último final de semana (6-8 de janeiro) aconteceram após cinco outros ocorridos durante o Natal, e que causaram pelo menos 40 vítimas em toda a Nigéria.

"O governo, a polícia e os órgãos de segurança devem agir agora, antes que haja mais caos, com mais mortes", disse Kyrke-Smith em reação à ameaça de extremistas islâmicos, do grupo Boko Haram, em lançar novos ataques se os cristãos animistas não deixarem o Norte.

Suas declarações vieram após as ameaças de uma guerra civil na Nigéria, das notícias de milhares de cristãos e animistas que fogem do Norte, e da imposição do “toque de recolher” obrigatório em alguns estados, feita pelo presidente da Nigéria, Goodluck Jonathan.

Durante o final de semana, o presidente nigeriano disse que suspeita a existência de simpatizantes do Boko Haram em seu governo, na polícia e em outras agências de segurança. Kyrke Smith também destacou a necessidade de uma ação rápida, por parte dos líderes religiosos muçulmanos e cristãos, em condenar a violência e melhorar as relações inter-religiosas.

"Todos os líderes religiosos devem fazer tudo o que estiver ao seu alcance para promover o diálogo; apelar pela calma entre seus seguidores e buscar ampliar os compromissos de oração pela paz", disse Smith Kyrke.

Kyrke Smith continuou a fazer apelos à oração pelo fim da violência e para melhorar as relações entre os grupos religiosos.

Suas palavras, seguem a entrevista do Monsenhor John Onaiyekan, arcebispo de Abuja. Este disse a AIS News que os cristãos e os muçulmanos da Nigéria vêm da mesma família e têm uma longa história de vida e trabalho em conjunto.

O arcebispo católico da capital, reiterou que após os ataques durante o Natal, muitos muçulmanos escreveram para expressar sua simpatia e oito imãs o visitaram para oferecer suas condolências.

Alimentando o temor de um ciclo de agravamento da violência, haverá uma greve geral contra a alta do combustível, no maior produtor de petróleo da África sub-saariana.

De acordo com relatos da mídia, algumas partes do país estão paralisadas, com lojas, escritórios, escolas e postos de gasolina fechados.

O Diretor da AIS no Reino Unido disse que o norte da Nigéria é uma prioridade para a organização, principalmente por causa da fraca relação inter-religiosa e das décadas de ataques contra os cristãos.

A Nigéria tem 63 milhões de cristãos e todos os anos a AIS fornece uma ajuda de pelo menos 500.000 euros ao país.

No ano passado, a organização apoiou 51 projetos, especialmente na área de formação para os seminaristas e religiosos, na construção de igrejas, centros pastorais ou mosteiros e na educação cristã.

"A Ajuda à Igreja que Sofre está empenhada em ajudar a Igreja Católica na Nigéria, particularmente onde os fiéis estão enfrentando ameaças de políticos e de radicais islâmicos", concluiu Kyrke-Smith.

Tradução:MEM