A normalização da homossexualidade

Um ensaio explicando as consequências sociais e morais da legalização do casamento entre pessoas do mesmo sexo

Roma, (Zenit.org) John Flynn, LC | 463 visitas

A recente onda de legalização do casamento homossexual em vários estados norte-americanos é mais uma prova da crescente aprovação social e legal da homossexualidade.

Esta mudança de visão sobre a orientação sexual envolve uma série de consequências para a sociedade, disse Robert R. Reilly em seu recente ensaio Making Gay Okay: How Rationalizing Homosexual Behavior is Changing Everything, (Ignatius Press).

Reilly começa por explicar que a sua tese é muito simples e parte do fato de que há duas visões fundamentais da realidade. De acordo com a primeira, há uma natureza ordenada a alguns fins, que levam ao primado da pessoa. De acordo com o outro ponto de vista, é possível classificar a natureza de acordo com os nossos desejos e a nossa vontade, os quais assumem a primazia.

O autor ressalta que os argumentos apresentados em seu livro não têm nada a ver com a religião, mas são baseados na razão. Não é, nem sequer, acrescenta, uma crítica aos homossexuais, mas apenas àqueles que gostariam de redefinir o resto da sociedade.

Para estar em paz com a sua consciência, os ativistas homossexuais não se satisfazem somente com o racionalizar o seu comportamento em relação a si mesmos, mas têm necessidade também da aprovação social e da legitimidade, explica Reilly. "Em outras palavras, todos temos que dizer que o mal é bom, para que eles se sintam seguros de si mesmos", diz o estudioso.

O livro examina uma vasta gama de temas, um dos quais é a comparação entre o pensamento de Aristóteles sobre a ética e a antropologia com aquele de Jean-Jacques Rousseau. A felicidade, pensava Aristóteles, não é o que nós pensamos que seja, mas somente aquela que se adequa à nossa natureza.

Além disso, Aristóteles fundou a sociedade sobre o homem e sobre a mulher e sobre a família, sem os quais o Estado não pode se sustentar.

Rousseau, pelo contrário, argumenta que nem a razão, nem a vida familiar estão na natureza do homem.

Reilly também aponta que os defensores do casamento homossexual subverteram a noção clássica de justiça do dar às coisas o que lhes é devido, em base àquilo que são. Hoje, pelo contrário, parece que a justiça seja dar às coisas o que sintamos que seja certo.

Depois de um longo capítulo no qual Reilly analisa um grande número de processos judiciais, criticando os tribunais pelo ativismo judicial e por deformar a moralidade. Na segunda parte do livro, o autor analisa o impacto da homossexualidade nas instituições.

Começando pela ciência, Reilly ressalta que a decisão da Associação Americana de Psiquiatria de remover a homossexualidade das doenças mentais em 1973, foi orquestrada por um grupo de ativistas homossexuais.

Outra área de debate científico diz respeito à homossexualidade entendida como traço genético ou, pelo contrário, como comportamento que se aprende. Pareceria comprovado cientificamente, argumenta Reilly, que a homossexualidade é mutável e não simplesmente um comportamento predeterminado.

Sobre a questão da paternidade homossexual, Reilly rejeita o argumento de que os filhos de casais homossexuais cresçam da mesma forma que as crianças com pais heterossexuais. Além de raras situações, privar uma criança de um ou de ambos os pais biológicos é prejudicial, diz o autor, citando um estudo do American College of Pediatricians.

Os estudos sobre o tema são muito controversos, mas Reilly pôs em evidência erros metodológicos naqueles que pretendem mostrar que os filhos de pais do mesmo sexo não sofrem e não estão em desvantagem.

Em uma parte anterior do livro, Reilly também acrescentou que a proteção legal de um casamento entre marido e mulher envolve um julgamento público sobre a natureza e o propósito do sexo.

Portanto, o matrimônio entre pessoas do mesmo sexo enfraquece a família, que, diz Reilly, é o melhor ambiente para criar os filhos.

A educação é uma outra área onde a influência dos lobbys pró-gay está atuando. Reilly diz que, se os comportamentos homossexuais fossem aceitos como moralmente legítimos, consequentemente, a homossexualidade deveria ser ensinada nas escolas como se fosse algo normal.

O jornalista norte-americano acrescenta: "A educação é uma parte essencial do esforço por universalizar a racionalização do comportamento homossexual; por isso, deve se tornar uma parte obrigatória do currículo, como acontece agora, na Califórnia".

Depois dos capítulos que discutem o impacto da homossexualidade nos escoteiros, no exército e na política externa norte-americana, no último capítulo Rilley propõe esta observação:

"O problema com a nossa civilização é que as convicções morais sobre as quais se fundamenta o ordenamento público foram menosprezadas quase até ao ponto do colapso”.

O jornalista norte-americano refere-se a vários casos em que várias pessoas comuns foram condenadas por não aceitar o ethos homossexual, dos floristas que fornecem arranjos florais para os matrimônios, aos fotógrafos, até aqueles que estão envolvidos na indústria da hospitalidade. Hoje, a tolerância não é considerada suficiente, os cidadãos, agora, ainda são obrigados a apoiarem ativamente a homossexualidade.

Reilly sugere, no entanto, que seria errado culpar os homossexuais por todos os problemas relacionados com o declínio da moralidade pública. A aprovação da contracepção, do aborto e dos divórcios no fault (a dissolução do casamento que pode ser obtida simplesmente com a vontade de uma das partes) abriu o caminho para essa tendência.

Reilly concluiu afirmando que "hoje, quase toda forma de cultura luta contra a castidade e esta é a razão pela qual a estrutura da sociedade está se desintegrando". Como mudar esta situação não é um tema que Rilley desenvolve, mas continua a ser uma questão de importância vital. (Trad.TS)