A nossa gente agradece pelo evangelho pregado com unção

Celebração da missa crismal do papa Francisco na basílica de São Pedro

Roma, (Zenit.org) Rocio Lancho García | 1042 visitas

Poucos minutos antes das 9h30 da manhã, o santo padre entrou na basílica de São Pedro para presidir a missa crismal, concelebrada com os cardeais, bispos e 1600 presbíteros diocesanos e religiosos presentes em Roma.

Durante a celebração, os sacerdotes renovam as promessas feitas no momento da sagrada ordenação. Abençoa-se o óleo dos enfermos, o óleo dos catecúmenos e o crisma, contidos em seis ânforas.

O papa Francisco explicou que as leituras falam dos "ungidos" Isaías, Davi e Jesus. “A unção que os três recebem é para ungir o povo fiel de Deus, a quem eles servem; a sua unção é para os pobres, para os cativos, para os oprimidos”.

Francisco explicou alguns símbolos que acompanham o sacerdote. Sobre a veste, ele disse: "Ela significa que o sacerdote celebra carregando nos ombros o povo confiado a ele, com os seus nomes gravados no coração (...) Ao vestirmos a nossa humilde casula, pode nos fazer bem sentir sobre os ombros e no coração o peso e o rosto do nosso povo fiel, dos nossos santos e dos nossos mártires". Sobre a beleza litúrgica, ele afirmou que "ela não é puro adorno", mas "presença da glória de nosso Deus, que resplandece em seu povo vivo e consolado". "A unção, queridos irmãos, não é para nos perfumarmos, muito menos para guardarmos num frasco, porque o óleo azedaria e o nosso coração ficaria amargo".

O santo padre recordou que "a nossa gente agradece pelo evangelho pregado com unção, agradece quando o evangelho que pregamos chega até a sua vida cotidiana". Os sacerdotes "são mediadores entre Deus e os homens": por isso, o papa os convidou a ser "pastores com cheiro de ovelha" e a "experimentar a unção, o poder e a eficácia redentora: nas periferias, onde há sofrimento, onde há sangue derramado, cegueira que deseja ver, onde há pessoas cativas nas mãos de tantos patrões ruins".

Sobre a crise de identidade sacerdotal, Francisco encorajou os padres a "remar mar adentro em nome do Senhor e jogar as redes". O papa apelou também aos fiéis e pediu: "Acompanhem os seus sacerdotes com o afeto e com a oração, para que eles sejam sempre pastores segundo o coração de Deus".

Ao terminar a homilia, o papa pediu que "Deus Pai renove em nós o Espírito de Santidade com que fomos ungidos, que o renove em nosso coração de tal maneira que a unção chegue a todos, também às periferias, onde o nosso povo fiel mais o espera e valoriza. Que a nossa gente nos sinta como discípulos do Senhor".

O óleo para a celebração da missa crismal foi uma doação da cooperativa Arte e Alimentação, de Castelseras, Aragão, na Espanha. As substâncias perfumadas para elaborar o crisma foram colocadas no óleo pelo diácono antes da oração da bênção.

Depois da celebração, os óleos são levados para a Catedral de Roma, São João de Latrão. A partir dela, serão distribuídos aos sacerdotes de toda a diocese romana para a administração dos sacramentos durante o ano.

Na Coluna da Confissão foi colocada uma estátua de madeira de Maria com o Menino Jesus. A estátua, conservada nos Museus Vaticanos, é uma doação feita ao papa Paulo VI pelo então presidente do Brasil João Goulart , por ocasião da sua eleição em 1963. A obra, da escola brasileira, é do século XVIII e representa Nossa Senhora de Montserrat.