"A nova cultura tecnológica pode levar a um excessivo estado de distração", disse sacerdote

Posse e aula inaugural da nova reitoria do Seminário de Campos dos Goytacazes (RJ)

Rio de Janeiro, (Zenit.org) Redacao | 523 visitas

No dia 17 de fevereiro de 2014, Dom Roberto Francisco Ferrería Paz empossou a nova diretoria do Seminário Maria Imaculada, na diocese de Campos dos Goytacazes, RJ. A cerimônia ocorreu dentro de uma celebração eucarística na Igreja de Santa Teresinha, concelebrada pelo bispo emérito de Campos, dom Roberto Gomes Guimarães, diversos padres da diocese e teve a participação de diversos fiéis leigos da diocese.

A nova equipe de formação é formada pelo pe. João Genes Rodrigues, reitor do Seminário; pe. Elênio de Barros Abreu, vice-reitor e pe. Fábio de Melo Ferreira, diretor espiritual. Depois da celebração o pe. Anderson Alves, também colaborador de ZENIT, ministrou a aula inaugural sobre o tema: “A educação em tempos de fragmentação do pensamento e relativismo”.

A aula tratou em primeiro lugar o pensamento débil, que até pouco tempo era teorizado em alguns âmbitos universitários, e agora se torna comum na atual cultura tecnológica. Atualmente estamos imersos numa cultura onde o pensamento aparece de forma fragmentada, em pequenas frases, vídeos, músicas, tudo com um grande apelo sentimental e pouca profundidade. Nas Universidades os jovens não conseguem dificilmente acompanhar uma aula inteira. Distraem-se facilmente e julgam um pensamento ou um autor simplesmente dizendo “curto, ou não curto” como fazem em Facebook. E para os professores prenderem a atenção dos alunos devem mostrar filmes, imagens, gráficos, etc., ou seja, praticamente precisam dar um show.

«Não querendo negar a importância das novas tecnologias, não é possível ignorar os seus riscos. De fato, a nova cultura tecnológica pode levar a um excessivo estado de distração, a uma acentuação do sentimentalismo e à confusão dos limites da realidade e da fantasia. Tudo isso é característica das crianças. E muitas pessoas nos nossos dias não querem crescer, tornando-se um adulto responsável», afirmou o sacerdote da diocese de Petrópolis.

O pe. Anderson alertou que no ambiente atual ocorre uma séria crise educativa, com o desaparecimento de um pensamento estruturado e profundo e a exacerbação de uma cultura superficial, sentimental e pouco responsável, que tende a gerar uma fuga das responsabilidades a ponto de se perguntar se não estamos assistindo a um verdadeiro processo de extinção da vida adulta.

Posteriormente foi tratado o tema da “ditadura do relativismo”, expressão frequente em Bento XVI e que está na base da escolha do nome de “Francisco” pelo então cardeal Bergoglio, como foi afirmado por ele na audiência ao corpo diplomático de 22/03/2013. De fato, ele disse que a escolha desse nome se deve ao amor daquele grande santo pelos pobres, e a pobreza pode ser tanto a material quanto a espiritual. Essa última se expande em todo o mundo ocidental, inclusive entre as pessoas ricas, e consiste na sedução da “ditadura do relativismo”.

Para o Papa Francisco a Igreja deve combater a pobreza, tanto com a ajuda material aos mais necessitados quanto com uma educação que afirme o bem da verdade e supere o relativismo. Sem isso, não é possível autêntico diálogo e nem mesmo construir uma cultura de paz. A paz é obra da justiça e se funda na verdade.

Mas a verdade não é um sistema fechado e autoritário. É sim uma luz que se manifesta em algo misterioso: o rosto das pessoas, especialmente no rosto de Cristo. A dita luz ilumina a vida, abrindo nossas mentes e corações ao mistério de Deus, e não fechando as pessoas em si mesmas. Esse conhecimento gera amor, o qual é o princípio de toda ética social.

«O amor supõe a afirmação do outro e o movimento em direção a ele. O relativismo, por outro lado, é fruto do egoísmo. É o isolar-se do “eu” em si mesmo. De fato, somente um “eu” fechado pode negar a evidência do mundo externo, de Deus, dos outros e a possibilidade de se conhecer e amar a verdade da realidade. O relativista nega a verdade e a bondade de todas as coisas e como consequência disso, tudo se torna indiferente. O amor se torna supérfluo e a vida, um absurdo. Porém, o relativista é um ser essencialmente contraditório. Porque antes de relativizar o ser, a verdade e o bem, absolutizou a si mesmo, ou seja, o próprio “eu” com todos os seus anseios», disse o pe. Anderson na sua aula.

(Red.AA)