"A Nova Evangelização é uma nova missionariedade na Igreja"

Dom Benedito Beni dos Santos na XIII Assembléia Geral Ordinária do Sínodo dos Bispos

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Por Maria Emília Marega

CIDADE DO VATICANO, domingo, 07 de outubro de 2012(ZENIT.org) – Após a concelebração de inauguração da XIII Assembléia Geral Ordinária do Sínodo dos Bispos, que tem como tema: A Nova Evangelização para transmissão da fé cristã, diante da Basílica de São Pedro, ZENIT conversou com Dom Benedito Beni dos Santos, da diocese de Lorena, Bispo nomeado pelo Papa para representar o episcopado brasileiro na Assembléia.

ZENIT: Qual é a contribuição da Igreja do Brasil para este Sínodo?

Dom Beni: A Nova Evangelização caminha bem no Brasil de um modo especial através da Missão Permanente da Igreja e das Novas Comunidades e Movimentos. Creio que este Sínodo vai reunir todas as experiências de Nova Evangelização que existe na Igreja e vai fornecer ao Santo Padre um material extenso e profundo para que ele possa elaborar em sua carta Post Sinodal um projeto de Nova Evangelização.

ZENIT: Como será a participação do senhor durante a Assembléia?

Dom Beni: Cada Bispo presente no Sínodo faz uma intervenção que deve durar apenas 05 minutos na Assembléia Geral, depois, existe a contribuição que cada Bispo dá na reflexão feita por diversos grupos separados por língua. Na minha intervenção pretendo mostrar que a Nova Evangelização é uma nova missionariedade na Igreja, portanto, não envolve um grupo de especialistas, mas todos os batizados. A seguir, eu pretendo mostrar também como a Nova Evangelização já caminha na América Latina através da Missão Permanente e no Brasil através, sobretudo, dos Movimentos e Novas Comunidades.

ZENIT: Qual é o papel do leigo no contexto da Nova Evangelização?

Dom Beni: Os leigos exercem um protagonismo na Nova Evangelização, basta recordar que os leigos estão engajados na Missão Permanente da Igreja, os leigos são membros dos Movimentos e Novas Comunidades. Existem espaços na sociedade onde o bispo não consegue chegar, nem o padre, mas os leigos estão presentes no dia a dia, através do seu trabalho, de suas atividades.

ZENIT: Como este protagonismo acontece na prática?

Dom Beni: Em primeiro lugar como testemunho do Evangelho os leigos já evangelizam todos os espaços das cidades. É claro que, um projeto de Nova Evangelização deve ser uma coisa planejada, deve envolver a preparação dos leigos para que possam exercer a missão da Igreja. Sobretudo a família tem um papel muito importante na evangelização, os pais são os primeiros evangelizadores dos filhos, então, o pai e a mãe precisam ser catequistas; a família deve também ser evangelizadora de outras famílias.

A preparação do leigo...

A Igreja tem trabalhado muito nesse sentido, mas creio que o Sínodo irá trazer uma nova contribuição no plano teórico, e também no plano da experiência, da vivência. O Brasil também está se preparando bem para o Ano da fé, sobretudo está se difundindo muito a doutrina do Concilio Ecumênico Vaticano II. Eu mesmo, antes de vir para Roma, dei diversas conferências, cursos e retiros sobre os textos do Concílio Vaticano II.

O Concilio Vaticano II...

O Concilio Ecumênico Vaticano II foi realizado para renovação da Igreja e essa renovação não se faz em 50 anos, são necessários muitos anos, então, eu acredito que a retomada do espírito e do ensinamento do Vaticano II nesse momento é muito importante para toda a Igreja e o catecismo é um dos frutos principais deste Concílio.

O Catecismo da Igreja Católica...

O catecismo não é simplesmente um livro religioso, nem é um manual de teologia. O catecismo é o documento da fé, mostra aquilo que a Igreja crê e aquilo que cada um de nós deve crê porque a nossa fé é transmitida pela Igreja; é feito de tal modo que motiva a pessoa a viver a fé. Então, o conhecimento do catecismo da Igreja Católica é um dos objetivos do Ano da fé e vai contribuir muito para o aprofundamento e o fortalecimento da fé e também para que a Igreja possa cumprir bem a sua missão de Evangelizar.

ZENIT: Dizem que agora é o momento da América Latina evangelizar a Europa. O que o senhor poderia dizer sobre isso?

Dom Beni: É claro que a evangelização precisa de agentes e na América Latina nós temos muita gente trabalhando na evangelização. Existe um florescimento das vocações para o sacerdócio, para a vida religiosa, para as Novas Comunidades e Movimentos. Enquanto isso, a Europa está envolvida em um processo muito grande de secularização, as vocações estão se tornando raras. Acredito que neste sentido missionário, de trazer para a Europa missionários leigos, consagrados, e até mesmo presbíteros, a América Latina pode contribuir para a missão da Igreja na Europa.