A Parada Gay e a moral sexual católica

Tanto o heterossexual quanto o homossexual são chamados a viver a castidade

São Paulo, (Zenit.org) Edson Sampel | 554 visitas

A realização da Parada Gay na cidade de São Paulo, ocorrida aos 4/5/2014, faz-nos recordar das palavras carinhosas do papa Francisco, proferidas a bordo do avião que o conduziu do Rio a Roma, ao cabo da Jornada Mundial da Juventude (JMJ), em julho de 2013. “Se um gay busca a Deus, quem sou eu para julgá-lo?”, afirmou o sumo pontífice. Deveras, só Deus julga as consciências dos gays e dos heterossexuais. Isto é, de fato, um truísmo. Qualquer pessoa de bom senso há de convir que não se deve sair por aí, prolatando veredictos acerca da conduta alheia. Aliás, o próprio Jesus Cristo declarou: “Não julgueis, para não serdes julgados” (Mt  7,1).

A Igreja, o papa, os bispos, os padres e os católicos leigos se guiam por um marco moral extraído da pregação de Jesus. Portanto, quando a Igreja católica propõe a heterossexualidade como a maneira correta de vivenciar o sexo no matrimônio, o fundamento desta doutrina repousa no evangelho, ciosamente custodiado pelo magistério eclesiástico ao largo de vinte séculos. O julgamento de cada indivíduo decerto compete só a Deus, no entanto, a Igreja, instituição bimilenar, perita em humanidades (Populorum Progressio, n. 13), tem a obrigação impostergável de anunciar, em alto e em bom som, ou, dos telhados, conforme as escrituras sagradas (Lc 12, 3), o que ela entende como certo ou errado no campo da sexualidade humana. Esse anúncio, corolário igualmente de um tirocínio de dois mil anos de enfrentamento das agruras que afligem o homem e a mulher, habilitam a Igreja a propor a moral sexual não só aos católicos e cristãos, mas a todas as pessoas de boa vontade. Nada obstante, convém esclarecer um ponto importante: a Igreja, tal como seu divino fundador, Jesus Cristo, não “impõe” absolutamente nada a ninguém; apenas “propõe”, consoante escrevemos acima, um modus vivendi consentâneo com os valores cristãos.

Os bispos, sucessores dos apóstolos, tomam a sério a questão da homossexualidade, para “compreender com clareza em que sentido o fenômeno da homossexualidade, com suas dimensões múltiplas e seus efeitos sobre a sociedade e sobre a vida eclesial, é um problema que concerne propriamente à preocupação pastoral da Igreja” (“Carta sobre o atendimento pastoral às pessoas homossexuais”, n. 2). Demais, repreende-se veementemente o comportamento dos que desrespeitam os homossexuais: “É de se lamentar, firmemente, que as pessoas homossexuais tenham sido e ainda sejam objeto de palavras, dizeres maliciosos e ações violentas.” (“Carta...”, n. 10).

Ensina o catolicismo, entretanto, que “optar por manter um relacionamento sexual com uma pessoa do mesmo sexo equivale a anular o rico simbolismo e o significado, para não falar das finalidades, do desígnio do Criador em relação à realidade sexual.” (“Carta...”, n. 7). Com efeito, explicita a carta em exame: “(...) o relacionamento homossexual não expressa uma união complementar, capaz de transmitir a vida (...)” (“Carta...”, n. 7).

Pensando, agora, nos homossexuais católicos e cristãos, temos de perguntar: o que deve, então, fazer uma pessoa homossexual que procura seguir o Senhor? “Substancialmente é vocacionada a fazer a vontade de Deus em sua vida, unindo ao sacrifício da cruz do Senhor todo o sofrimento e dificuldade que possa experimentar em virtude de sua condição.” (“Carta...”, n. 12).

Infelizmente, uma desavergonhada “teologia da prosperidade” ousou subtrair a cruz da religião cristã e, com isto, desfigurou o cristianismo. Mas, na essência, ser cristão, heterossexual ou homossexual, consiste também em carregar a cruz de cada dia, atendendo ao chamado de Jesus: “Se alguém quiser vir após mim, negue-se a si mesmo, tome a sua cruz e siga-me.” (Mc 8, 34).