A Páscoa e o ovo

A Páscoa ou ressurreição de Jesus é o acontecimento-chave da participação de Deus na história

São Paulo, (Zenit.org) Edson Sampel | 999 visitas

Na Páscoa do ano passado, fiz uma experiência interessante. Passo a relatá-la agora. Propus a uns amigos o seguinte teste: dar-lhes-ia uma palavra, “Páscoa”, e eles responderiam com o primeiro pensamento que lhes ocorresse à mente. A maioria disse “ovo”. Gostaria de fazer alguns comentários a respeito dessa inextricável relação Páscoa-ovo.

O ovo é, aparentemente, um ser inanimado. Todavia, se chocado, com o passar do tempo, de dentro dele sai um exuberante pintinho. O túmulo onde jazia o corpo de Jesus Cristo também aparentava a petrificação, mas, Jesus ressuscitou e rompeu as barreiras da sepultura. Surge redivivo da casca do jazigo.

A Páscoa é a festa central da religião cristã. Muitos creem que o Natal seja a solenidade principal dos cristãos. Enganam-se. A Páscoa ou ressurreição de Jesus é o acontecimento-chave da participação de Deus na história.

A boa notícia pascal é que se Jesus, verdadeiro homem, ressuscitou, venceu a morte, nós, igualmente, seus discípulos, ressuscitaremos e viveremos para sempre felizes no céu. Não há, pois, motivo para desolação, nem para tristeza.

As alegrias da ressurreição começam aqui neste mundo. À medida que construirmos uma nova sociedade, consubstanciada na justiça social, preparamos o advento da Páscoa definitiva.

A conversão é uma meta. Com efeito, ao largo da quaresma, nós oramos, jejuamos e demos esmolas, com vistas na grande festa da Páscoa. A eucaristia é deveras o ápice e o centro da vida do seguidor de Jesus. Alimentados pelo pão eucarístico, sentimo-nos fortalecidos para defender os inermes e auxiliar os pobres que precisam de apoio. Nessa caminhada, não pode faltar o santo remédio do sacramento da penitência, porquanto somos fracos e, até a ressurreição, cairemos e levantaremos mil vezes, para usar uma frase cunhada por dom Helder Câmara, quando definiu a pessoa santa.

Oxalá soubéssemos empregar eloquentemente os símbolos da Páscoa, como o ovo. O dia a dia ganharia mais sentido; não nos tornaríamos presas fáceis do consumismo. Que nesta Páscoa de 2013 se instaure o reino de Deus entre nós. Que a alegria tome conta de cada lar, principalmente das casas dos pobres. Que a virtude teologal da esperança frutifique na alma de todos os leitores deste site. Amém.   

Feliz Páscoa!

Edson Luiz Sampel é doutor em Direito Canônico pela Pontifícia Universidade Lateranense, do Vaticano e professor a Escola Dominicana de Teologia (EDT).