A pianista cristã que comoveu até Stalin

No Meeting de Rimini uma história fascinante em teatro e música

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Por Antonio Gaspari

ROMA, terça-feira, 24 de agosto de 2010 (ZENIT.org) – Nessa segunda-feira, no Meeting de Rimini (Itália), foi apresentada por meio de uma peça teatral e concerto a história de Marija Judina, uma das maiores pianistas russas do século XX.

As crônicas contam que em 1943, em plena guerra mundial, o ditador soviético Josef Stalin ouviu no rádio o Concerto K 488 de Mozart e ficou deslumbrado. A execução era magistral. Stalin pediu a gravação, mas o concerto foi ao vivo.

Então, funcionários do Partido convocaram Judina de modo urgente para gravar o Concerto. Neste episódio Stalin mostrou-se generoso, pagando 20.000 rublos à pianista, uma cifra enorme para aquele tempo.

Mas Marija Judina não era uma simples pianista. Ela tomou uma atitude incrível de coragem e fé.

Judina escreve a Stalin: “Eu o agradeço. Rezarei dia e noite pelo senhor e pedirei a Deus que perdoe seus graves pecados contra o povo e a nação. Deus é misericordioso para perdoar. O dinheiro será doado para a restauração da igreja que frequento”.

Foi grande a afronta contra o ditador. Judina foi advertida pelo regime, mas Stalin não a puniu. Conta-se que quando o ditador foi encontrado morto em seu quarto, na vitrola tocava o concerto de Mozart executado por Judina.

De família judaica não praticante, Marija Judina converteu-se ao cristianismo aos vinte anos. A partir daquele momento viveu coerentemente com sua fé, atingindo profissionalmente a excelência no campo musical. Conta-se que depois de alguns concertos ela saía rapidamente para levar comida a uma família pobre.

O sacerdote russo Romano Scalfi disse no Meeting que Marija Judina “não é um exemplo isolado; trata-se de mais uma das expressões do cristianismo que sobreviveu ao poder soviético”.

“Era contrária a uma submissão irracional, como se pedia, às diretivas do partido” e – prossegue o padre Scalfi – “um dos aspectos mais fascinantes desta artista, além do empenho em apontar os males da ditadura, era trabalhar pela positividade de um mundo novo”.

Por sua liberdade e sua fé, Judina foi punida pelo regime, que em 1930 a expulsou do conservatório onde era docente. Mas o regime ditatorial não conseguiu impedi-la de tocar, e todos, até Stalin, respeitavam-na por suas qualidades artísticas.

A peça teatral com concerto “Marija Judina, a pianista que comoveu Stalin” tem organização da fundação Rússia Cristã e a direção de Andrea Chiodi.