A preparação prática da pregação

Coluna do Pe. Antonio Rivero, L.C., Doutor e professor de Teologia e Oratória no seminário Mater Ecclesiae de São Paulo

São Paulo, (Zenit.org) Pe. Antonio Rivero, L.C. | 1213 visitas

Agora chegamos na parte operativa: como fazer na prática a pregação, seja homilia, discurso, panegírico, reflexão eucarística, meditação, etc. Estamos falando da preparação prática da pregação.

Primeira dica: essa pregação não deve ser preparada na véspera. Devemos prepará-la, pelo menos, durante toda a semana. Não se faz uma homilia ou discurso; surgem, crescem, amadurecem. E todo crescimento precisa de tempo de fecundação. Uma semana ou quinze dias, mínimo. Só assim essa pregação terá o perfume da intimidade com Deus e a preparação consciente e séria. É preciso dedicar um bom tempo na semana para ler as leituras do domingo ou festa correspondente; ler também alguns comentários às leituras; ver quais problemas da vida cristã e humana dos meus paroquianos são afetados por essas leituras.

Qual o método? Depende muito dos humores e talentos pessoais e das várias circunstâncias. É bom fixar por escrito as ideais e pontos de vista que forem surgindo ao longo da preparação, porque o que não se escreve se esquece. E, acima de tudo, é preciso olhar para o objetivo dessa pregação: o que quero conseguir com esta pregação? Explicar, persuadir, motivar, demonstrar, emocionar, convencer?

Como fazer: partir do texto bíblico para o hoje, ou partir do hoje para ir ao texto bíblico e voltar ao hoje?

Alguns preferem partir do texto bíblico e, em seguida, aplicá-lo ao hoje. É bom e lógico. Outros preferem partir do hoje para ver se esse texto bíblico ilumina esse hoje. É o método indutivo seguido pela Gaudium et Spes do Vaticano II. Este método é psicologicamente mais eficaz hoje em dia, porque o ouvinte vem com todos os seus problemas do hoje.

Seguindo esse segundo método psicológico, qual seria o esquema a ser seguido?

- Motivação: o ouvinte deve ser preparado antes de apresentar os problemas e as soluções. Isto pode ser conseguido narrando uma experiência que gere interesse, um fato histórico, uma anedota bem contada, uma notícia mundial, que esteja no contexto do tema que trataremos na pregação. Dessa forma consegue-se o que os clássicos chamaram “captatio benevolentiae” do ouvinte, ou seja, que o ouvinte me escute e pegue o trem da minha pregação. Se não, facilmente se desconecta e cai.

- Apresentação do problema: formula-se o problema vital que afeta o ouvinte e que exige solução. Por exemplo: “A pena de morte é um problema que preocupa a todos nós. Tenho aqui umas estatísticas horripilantes dos Estados que permitiram a pena de morte em pleno século XXI... Diante disso, o que pensa Deus, a Igreja, nossa consciência?".

- Objeções ao tema: apresentam-se as dificuldades sobre, as objeções contra a fé ou contra o objetivo da pregação. São Paulo faz isso em Rm 3, 1-8.

- Oferecer uma solução: o pregador apresenta uma solução adequada para o problema, com uma forma e linguagem compreensíveis, de tal forma que a questão abordada encontre aqui uma resposta. A solução tem que vir da Sagrada Escritura ou da tradição da fé, se o tema é espiritual. Ou da ciência e filosofia, se o tema é científico ou especulativo.

- Reforço da solução: se dá a solução para as situações específicas. A pregação não pode terminar com generalidades. A solução tem que causar mudanças na vivência prática dos ouvintes. É um convite como resumo do que foi dito, mas que toque já a situação concreta. Nesse momento colocam-se alguns exemplos de como viver essa verdade que expliquei na solução.

Continuaremos ...

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Caso queira se comunicar com o Padre Antonio Rivero pode fazê-lo por este e-mail:arivero@legionaries.org

Trad.TS