A Primeira Lição de Francisco

Precisamos de coragem para caminhar, construir e confessar

São Paulo, (Zenit.org) Alexandre Varela | 1441 visitas

Na homilia da Missa "Pro eligendo romano pontifice", que antecede o Conclave, o Cardeal Angelo Sodano pediu unidade e humildade.  E os cardeais, inspirados pelo Espírito Santo, nos trouxeram Francisco.  Um Papa cujas primeiras palavras foram para agradecer seu antecessor, Bento XVI, e pedir orações pelo seu pontificado.  Sodano foi atendido.

E logo em sua primeira homilia como pontífice, Francisco no diz:

“Eu gostaria que todos, após esses dias de Graça, tenhamos a coragem, exatamente a coragem de caminhar na presença do Senhor, com a Cruz do Senhor; de construir a Igreja no sangue do Senhor, que foi derramado na Cruz; e de confessar a única glória: Cristo Crucificado”.

Pra que perder tempo? Em seu primeiro dia de pontificado, já somos chamados a entrar em movimento.  Somos chamados a caminhar com convicção pelo caminho da vida.  Ele nos diz que “quando paramos as coisas não correm bem” e vai além: pede que sejamos construtores da Igreja.

Mas aí está a grande lição dessa homilia.  Para construir a Igreja não basta a caminhada, não bastam as boas obras.  É preciso confessar a única glória: Cristo Crucificado.  Porque sem olhar para Cristo, sem pensar no seu imenso sacrifício, no significado da sua Cruz e no seu amor incomparável, é impossível dar sentido para qualquer coisa que se faça dentro desse caminho.

Sem Cristo podemos fazer grandes coisas, mas serão invariavelmente vazias.  Sempre estaremos fadados a cansar e parar no meio do caminho.  E com obras vazias a Igreja deixa de ser a Esposa do Senhor para ser apenas uma ONG.  Apenas um lugar com gente bem intencionada e trabalhos bem feitos, mas vazios de sentido.

Logo em sua primeira homilia, Francisco nos aponta para o que deve ser o verdadeiro sentido de caminhar e construir: Cristo.  Ao mesmo tempo, nos previne das dificuldades e nos avisa que “às vezes acontecem terremotos” e somos lançados pra trás no caminho.

Por isso é preciso aproveitar esses dias de oração e de graça.  Pensar em tanta gente que, ao redor do mundo, rezava desde o início do conclave.  Em tantas pessoas que se emocionaram na Praça de São Pedro ou diante da TV, quando do anúncio do novo Papa.  Tudo por quê?  Porque não somos uma ONG, nem uma instituição, nem uma empresa... somos um Povo.  Um povo investido da graça do Espírito Santo.

Precisamos de coragem para caminhar, construir e confessar.  Eis a primeira lição de Francisco.

Alexandre Varela é catequista de Crisma e, junto com sua esposa, Viviane da Silva, é fundador e editor do blog: O Catequista.