A procura de Deus também passa pelos dispositivos eletrônicos móveis

Estudo do Pew Research Center ilustra a tendência

Roma, (Zenit.org) Jorge Henrique Mújica | 662 visitas

A pergunta é respondida por um estudo do Pew Research Center intitulado “Social Networking Popular Across Globe 2012”. Filmes e música, temáticas da própria comunidade, esportes, política e religião são os tópicos mais tratados pelos usuários do Facebook, do Twitter, do Google+ e das outras principais redes sociais do planeta.

No quesito religioso, dos 21 países estudados, o Japão é o que menos fala de religião (1%) e o Egito e a Tunísia são os que mais falam (63%). A lista é esta:

Egito: 63%

Tunísia: 63%

Jordânia: 62%

Turquia: 53%

Brasil: 43%

Índia: 40%

Estados Unidos: 32%

Itália: 16%

México: 15%

Rússia: 15%

Espanha: 13%

Grécia: 13%

China: 10%

Polônia: 9%

República Tcheca: 9%

Grã-Bretanha: 8%

França: 8%

Líbano: 8%

Alemanha: 7%

Japão: 1%

Em termos gerais, o informe indica que os usuários que mais falam dos cinco temas têm de 18 a 29 anos, um indício de que a questão Deus é relevante para pessoas de uma faixa etária normalmente não associada a esses assuntos ou que não costuma tratá-los fora das redes sociais.

Um estudo feito pela Aleteia.org sobre os temas ético-religiosos e de espiritualidade mais destacados na internet em 2012 traz resultados complementares aos do Pew Research Center.

A análise quantitativa (onde, quanto e quando se fala de temas ético-religiosos) mostra que 71% das menções vêm dos Estados Unidos. Em seguida, México (14%), França (8%) e Itália (7%). Os canalizadores dessas menções são as redes sociais (46%), seguidas pelas notícias, blogs, fóruns e vídeos. Considerando-se que o estudo se baseia no período de novembro de 2011 a novembro de 2012, a análise manifesta que o volume de posts relativos ao universo ético-religioso apresenta pontos de crescimento variáveis de acordo com os países. Nos Estados Unidos, os meses de destaque foram fevereiro, maio e outubro de 2012; no México, março e outubro de 2012; na França não se distinguiram momentos especiais.

Na análise qualitativa (do que se fala nas menções e discussões ético-religiosas), os três macrotemas mais abordados são fé, família e bioética. Outros temas com menções relevantes vinculadas ao âmbito ético-religioso são cultura e sociedade, sexualidade, ciência, história, educação e viagens.

Estados Unidos, México, França e Itália recebem atenção especial por serem os países de onde provêm majoritariamente as menções. Nos Estados Unidos, por exemplo, a categoria “fé” envolve especialmente a evangelização e o diálogo inter-religioso (59%); a categoria “família” abrange o casamento e o debate sobre as novas uniões (45%); e a categoria “bioética” está vinculada ao debate sobre aborto e eutanásia (53%).

Outros dados gerais

O informe do Pew Research destaca ainda a preponderância dos dispositivos móveis (smartphones e tablets) como instrumentos privilegiados de acesso às redes sociais. Praticamente em todos os países, são os meios preferidos de participação nas conversas digitais. Os telefones inteligentes ganharam muito terreno em países como a Grã-Bretanha, Estados Unidos e Japão, onde pelo menos metade da população que acessa as redes sociais os utiliza, em particular os jovens.

A procura de Deus na era digital

A análise do Pew Research não tematiza o tipo de conversa gerada em torno à religião, mas é interessante destacar a capacidade da questão Deus de continuar a despertar interesse mesmo em sociedades vastamente laicas.

A possibilidade de recorrer à rede anonimamente oferece a muitos a oportunidade de aprofundar em temas sobre os quais não falariam em público. A religião e Deus estão entre eles. E os dispositivos móveis são, atualmente, os principais meios através dos quais essas inquietações se manifestam.

Nem todos se perguntam espontaneamente sobre Deus. O interesse de muitos é despertado ao conhecerem, voluntária ou involuntariamente, conteúdos que terceiros postam em seus próprios perfis nas redes sociais. É neste contexto que deve ser entendida a afirmação de Bento XVI, feita em 2012:

“Os motores de busca e as redes sociais são o ponto de partida na comunicação para muitas pessoas que procuram conselhos, sugestões, informações e respostas. Em nossos dias, a rede está se transformando cada vez mais no lugar das perguntas e das respostas; mais ainda, o homem contemporâneo é frequentemente bombardeado por respostas a interrogações que ele nunca tinha se feito e a necessidades que aparentemente ele não sentia”.

Não é exagerado afirmar que, no século XXI, muitos conhecerão a Deus graças a um telefone celular.

Para que esse conhecimento não seja de qualquer deus, mas do Deus verdadeiro, revelado em Jesus Cristo, é preciso não só aplicar estratégias de comunicação e pastoral digital, mas também são necessários três outros fatores:

1) Não perder de vista que “os bons frutos do compartilhamento do Evangelho se devem mais à capacidade da Palavra de Deus de tocar os corações do que a qualquer esforço nosso” (Bento XVI, Mensagem para a Jornada Mundial das Comunicações Sociais 2013);

2) A adaptação ao tipo de comunicação das redes sociais, considerando-se que o acesso majoritário passa hoje pelos smartphones. A atualização é necessária e o trabalho agora deve focar nos dispositivos móveis e na web 2.0 (interação entre as pessoas);

3) Convencer-se de que ser católico nas redes sociais não é simplesmente estar conectado, postar imagens religiosas, compartilhar artigos piedosos. É, antes, comunicar a própria vida com opções, pareceres e preferências concordes com o Evangelho e que vão além das telas: que aconteçam na vida real. Isto sim é ser um evangelizador 2.0.