A relação entre o diálogo e o anúncio

Aberto ontem, em Londres, o III Encontro dos Bispos e Delegados das Conferências Episcopais da Europa para as Relações com os Muçulmanos

Roma, (Zenit.org) | 499 visitas

"O cenário internacional foi vastamente modificado depois das ‘primaveras árabes’ no Egito e na Tunísia, da guerra na Líbia, do conflito na Síria e das suas repercussões em todo o Oriente Médio", disse o cardeal Jean-Pierre Ricard, no discurso de abertura, feito ontem à tarde, do III Encontro dos Bispos e Delegados das Conferências Episcopais da Europa para as Relações com os Muçulmanos.

A reunião acontece em Londres para discutir a relação entre diálogo e anúncio. Para o cardeal de Bordeaux, essas mudanças “não acontecem sem repercurtir na opinião pública dos nossos países europeus”. Descobrimos, diz o cardeal, que “a situação dos muçulmanos e das comunidades e associações muçulmanas é muito mais complexa e variada do que pensávamos”. No que diz respeito à formação da identidade dos jovens cristãos e muçulmanos em face de jovens muçulmanos em busca de identidade, que é outra questão discutida durante o encontro, “é interessante para nós analisar qual é o comportamento dos jovens católicos. Estas situações, às vezes, podem têm efeitos benéficos”, disse o cardeal.

Discursando na sessão de abertura, o cardeal Jean Louis Tauran, presidente do Conselho Pontifício para o Diálogo Inter-Religioso, reforçou a importância do diálogo entre cristãos e muçulmanos, da visita do papa Bento XVI ao Líbano, com a reunião entre ele e os líderes religiosos muçulmanos, e da criação do Centro Inter-Fé em Viena, “que poderá ser um novo canal para denunciar a violação da liberdade religiosa e, ao mesmo tempo, incentivar e compartilhar experiências positivas. Os crentes”, destaca o cardeal Tauran, “por saberem que o homem não vive só de pão, estão cientes de que precisam contribuir especificamente na vida diária e que precisam fazer isso juntos, não como concorrentes, mas como peregrinos no caminho da verdade”.

O relatório inicial foi confiado ao pe. Andrea Pacini, secretário da Comissão para o Ecumenismo e para o Diálogo Inter-Religioso da Conferência Episcopal Regional do Piemonte- Vale de Aosta, na Itália. Ele propôs uma releitura de "Diálogo e Proclamação", documento de 1991 publicado em conjunto por dois dicastérios do Vaticano (o Conselho Pontifício para o Diálogo Inter-Religioso e a Congregação para a Evangelização dos Povos).

Pacini lembrou que existem várias formas de diálogo inter-religioso: o "diálogo da vida cotidiana", o diálogo "das obras", através do qual se colabora para o desenvolvimento integral do homem, o diálogo do intercâmbio teológico e, finalmente, o diálogo da experiência religiosa, "no qual pessoas enraizadas na sua própria experiência religiosa compartilham as suas riquezas espirituais". Para Pacini, "diálogo e anúncio são legítimos e necessários. São intimamente relacionados, mas não são intercambiáveis: por uma parte, o verdadeiro diálogo inter-religioso pressupõe, por parte do cristão, o desejo de fazer conhecer e amar Jesus Cristo cada vez mais; e por outro, o anúncio de Jesus Cristo deve ser feito no espírito evangélico do diálogo, sem agressividade e sem desprezo". Para Pacini, a postura suprema que sintetiza diálogo e proclamação é o testemunho.

À noite, a baronesa Sayeeda Hussain Warsi, ministra britânica para a Fé e para as Comunidades - Exterior e Commonwealth, reuniu-se com os participantes para um jantar informal.