A revolução na Igreja não é só das mulheres, mas de todos os leigos

Subsecretário do Pontifício Conselho de Justiça e Paz explicou a ZENIT como os Papas contribuíram para o avanço do papel da mulher na Igreja

Roma, (Zenit.org) Deborah Castellano Lubov | 456 visitas

Em uma entrevista concedida a Zenit, Flaminia Giovanelli, subsecretária do Conselho Pontifício Justiça e Paz, nomeação feita pelo Papa, fala sobre o papel das mulheres na Igreja, como os tempos estão mudando, e enfatiza que tanto o papa atual como o Papa emérito trabalharam ativamente para que o papel da mulher na Igreja avançasse.

Nascida em Roma, Giovanelli trabalhou para o Pontifício Conselho Justiça e Paz desde 1974. Graduada em Ciências Políticas pela Universidade de Roma e com diplomas em bibliotecologia e estudos religiosos, diz que seu trabalho não é um cheque, mas sim uma vocação. Por outro lado, revela os desafios que encontra e a sabedoria que compartilharia com qualquer mulher que queira servir dentro da Cúria.

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ZENIT: Você poderia descrever sua posição atual?

- Giovanelli: Sim. Eu sou a subsecretária do Conselho Pontifício Justiça e Paz. Costumo dizer que sou uma espécie de decano deste escritório, quase um fixo no Vaticano, em certo sentido, já que estou aqui há 39 anos, um período muito longo. Tive a oportunidade de oferecer este serviço interessante neste dicastério.

ZENIT: Poderia explicar como foi a sua nomeação?

- Giovanelli: Bem, eu não sei por que, mas chegou por várias circunstâncias diferentes. O fato de que seja a única mulher leiga nesta posição de subsecretária no Vaticano, de certa forma, aconteceu por casualidade "providencial". Então, às vezes, pode ser um pouco estranho, mas de qualquer maneira, os tempos estão mudando. Uma das razões para a minha nomeação era que eu estava trabalhando lá por muitos anos. No ano passado, o presidente, o cardeal Martino, aposentou, e o secretário, que trabalhou aqui por 10 anos, foi nomeado arcebispo de Trieste. Assim, a minha nomeação foi, talvez, também devido a uma questão de continuidade.

ZENIT: Na sua opinião, quais são os maiores desafios que lhe surgiram como mulher?

- Giovanelli: Sim, é preciso esclarecer que não estou sozinha, porque temos muitas mulheres que trabalham no nosso escritório e no Vaticano em geral. Mas, claro, em certo sentido, é preciso ser discreto e fazer o melhor para avançar a sua formação como um membro de um corpo eclesiástico.

ZENIT: Você acha que para as mulheres no Vaticano ou na Igreja, há esperanças de subir ou avançar? Qual é a sua opinião?

- Giovanelli: Tenho visto muitas mudanças desde o início, desde quando comecei, não só para as mulheres, mas também para os leigos. Então, lembro que há muitos anos, não tinha leigos que representassem a Santa Sé, ou visíveis nas reuniões, por exemplo. É evidente que houve uma grande mudança. Acho que tem sido uma espécie de evolução e um sinal dos tempos.

ZENIT: Você acha que o Papa Francisco está mudando o papel das mulheres na Igreja?

- Giovanelli: Vamos ver! Muitas vezes O papa Francisco lembrou a importância da mulher na Igreja, no Evangelho, etc. Ele fez algumas declarações muito importantes. Mas também tínhamos ouvido grandes declarações sobre as mulheres na Igreja do Papa Bento XVI.

Em todo caso, já vimos alguns eventos muito importantes que o Santo Padre fez a uma série de comitês do Vaticano e congregações. Por exemplo, alguns exemplos notáveis ​​incluem a nomeação em 2013 da professora Mary Ann Glendon, da Universidade de Harvard - que tinha sido a presidente da Academia Pontifícia das Ciências Sociais - como membro do Conselho do Instituto para as Obras de Religião (IOR); as quatro mulheres que foram recentemente nomeadas como membros da Pontifícia Comissão para a Protecção de Menores; e Leticia Soberón, que já serviu no Vaticano e agora é uma expert da Comissão recentemente instituída sobre os Meios de Comunicação do Vaticano.

ZENIT: Você mencionou que o Papa Bento XVI também avançou no papel das mulheres no Vaticano ou na Igreja. Pode explicar-nos algum esforço ou contribuição que tenha feito nesse sentido?

- Giovanelli: O primeiro que me vem à mente é como colocou a ênfase em suas audiências semanais das quartas-feiras. Lembro-me de uma série de audiências dedicadas às santas, para ser mais específica, lembro-me de uma audiência que ele dedicou a Santa Hildegarda de Bingen, por quem tinha uma devoção incrível. Ao lembrar esta grande santa medieval, reconheceu as contribuições científicas e culturais das mulheres na Igreja.