A sala de Constantino

Depois da Capela Sistina, Nicola Rosetti dedica a sua "Catequese da Beleza" a outra joia dos Museus Vaticanos: as Salas de Rafael

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Nicola Rosetti

ROMA, terça-feira, 21 de agosto de 2012 (ZENIT.org) - Começamos hoje a descobrir outra joia de Roma, também inserida no circuito dos Museus do Vaticano, tal como a Capela Sistina: vamos falar das Stanze di Raffaello, ou Salas de Rafael, quatro recintos pintados por ele e pelos seus alunos durante os pontificados de Júlio II e Leão X.

Comecemos a visita pela sala decorada por último pelos alunos de Rafael, depois da morte do mestre: a Sala de Constantino. Nas quatro paredes desta sala, são narradas histórias do primeiro imperador romano convertido ao cristianismo. O ambiente era usado pelos papas como sala de reuniões.

Na primeira pintura, Giulio Romano ilustra a visão de Constantino. O comandante romano está incitando os seus soldados antes da batalha, em 28 de outubro de 312, quando vê no céu uma cruz e uma mensagem escrita em grego: "Com este sinal vencerás". Ao fundo, quatro elementos nos levam a recapitular visualmente toda a história de Roma.

Vemos uma pirâmide, a Meta Romuli, tumba do fundador de Roma que, em tempos antigos, devia estar situada no local onde hoje se ergue a igreja de Santa Maria Transpontina, na Via della Conciliazione. Esse túmulo, portanto, nos faz lembrar do início da história de Roma.

Vemos depois outra tumba, a de Adriano, que é o atual Castelo Sant'Angelo. A Mole Adriana nos lembra da Roma imperial e pagã.

Prosseguindo, observamos a Ponte Mílvia, onde, no dia seguinte, Constantino lutaria a batalha contra seu inimigo Maxêncio. A Ponte Mílvia representa o momento de transição da Roma pagã para a Roma cristã.

Finalmente, vemos o Monte Vaticano, onde Constantino construiria logo em seguida a basílica original de São Pedro. O monte representa a Roma cristã.

Giulio Romano criou a cena seguinte juntamente com Giovanni Francesco Penni: a batalha da Ponte Mílvia. Os soldados, sob as ordens de Constantino, hasteiam suas bandeiras com o símbolo da cruz e combatem os inimigos na Ponte Mílvia, que aparece ao lado direito da composição. Constantino lidera a batalha montando um cavalo branco, enquanto o rival, Maxêncio, se afoga no rio Tibre junto com seu cavalo.

O destino de Maxêncio lembra o do faraó egípcio e do seu exército. Há um paralelo óbvio que os artistas quiseram criar: assim como Deus favoreceu os judeus salvando-os do faraó, Deus apoiou também Constantino contra Maxêncio. Os três anjos que testemunham a batalha significam justamente este privilégio.

Os alunos de Rafael pintaram depois, na terceira parede da sala, o lendário batismo de Constantino. Segundo a lenda, que não tem correspondência alguma com a verdade histórica, Constantino foi batizado pelo papa Silvestre, que aqui tem a aparência de Clemente VII, no batistério de Latrão. Sobre duas colunas, vemos os dois homens mais poderosos do século XVI: à esquerda, o Imperador Carlos V, e à direita o rei francês Francisco I.

Na última pintura da sala, contemplamos a representação da Doação de Constantino. Em uma estrutura que lembra a antiga basílica de São Pedro, o imperador, ajoelhado, entrega ao papa Silvestre, que está sentado em um trono, a cidade de Roma.

Para mais detalhes ou informações: www.nicolarosetti.it

(Trad.:ZENIT)