A Santa Sé e a construção da paz

Dom Dominique Mamberti apresenta o novo livro do cardeal Bertone sobre a diplomacia pontifícia no mundo

Roma, (Zenit.org) Antonio Gaspari | 334 visitas

"A diplomacia pontifícia no mundo globalizado" contém muitos dos pronunciamentos do cardeal Tarcisio Bertone como secretário de Estado do Vaticano, bem como textos anteriores que remontam à sua experiência como docente.

Foi assim que dom Dominique Mamberti, secretário para as Relações com os Estados, resumiu o novo livro do cardeal Bertone, apresentado na tarde de ontem na Sala do Sínodo.

"É uma recopilação orgânica, cuidadosamente editada pelo prof. Vincenzo Buonomo, que aborda algumas das questões-chave da atividade diplomática da Santa Sé, mas também incide sobre as características daqueles que são os protagonistas dessa atividade, desde o papa até os representantes pontifícios".

Alguns destaques do livro constituem o fio condutor da atividade diplomática da Santa Sé. "Um deles é a construção da paz", destaca Mamberti, continuando: “Um dos objetivos da diplomacia papal é precisamente o de construir pontes entre todos os homens, para que cada um possa encontrar no outro não um inimigo, não um concorrente, mas um irmão para acolher e abraçar".

Bertone recorda o magistério dos papas a partir de Pio XII, destacando "os ensinamentos dos papas depois de 1945, especialmente no que se refere ao Evangelho da paz e a uma ‘metafísica da paz’ construída sobre os princípios da ordem moral, que é a luz que tem norteado as ações e intervenções das comunidades eclesiais".

Bertone observa que não há contradição entre a libertas Ecclesiae e a liberdade religiosa, argumentando que, através desta leitura do Magistério, fica claro que a ação diplomática da Santa Sé é sempre orientada a um bem positivo.

"Não é um olhar negativo para o homem e para a realidade", diz Mamberti, porque " incute confiança, é animado pela esperança cristã" e "não é simples otimismo", ou seja, "aquela atitude humana que depende de tantas coisas".

Daí a necessidade, disse Mamberti, citando Bento XVI, de "lugares de confiança​​", porque "a vida humana se torna impossível quando não se pode depositar confiança no outro ou nos outros, quando não podemos nos apoiar na sua experiência, no seu conhecimento".

O Secretário para as Relações com os Estados concluiu que "uma das capacidades da ação diplomática da Santa Sé é justamente a de ter esse olhar católico, ou seja, universal, próprio da Igreja, para o qual o patrimônio de cada povo é uma riqueza para toda a humanidade".