A serviço da esperança

O significado cristão da esperança num mundo em crise

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por Thomas Cozzi

ROMA, sexta-feira, dezembro 16, 2011 (ZENIT.org) – Neste passado mês de novembro, Bento XVI fez uma viagem apostólica à África, na qual, entre outros discursos, destaca aquele de 19 de novembro aos membros do governo, aos representantes das instituições, ao corpo diplomático e aos representantes das principais religiões do Benin. Além do conteúdo, não dirigido só à África, mas a todo o mundo, nos surpreendem dois fatores.

Antes de mais nada o fato do silêncio da imprensa internacional (e portanto também italiana, com exceção da imprensa "especialística").

Em segundo lugar é grande a profundidade da análise não só do que acontece na África, mas também da situação sócio-econômica ocidental. De fato, se não fosse conhecida a área geográfica na qual o discurso foi proferido, bem que poderia adaptar-se às vicissitudes europeia e italiana, em particular do mês passado.

O direito inegável de todas as pessoas à felicidade tem se tornado, sempre mais, o imperativo hedonista do "ter de ser feliz" a todo custo, alimentando ilusões e apagando esperanças. O quanto esta idéia de felicidade tenha se tornado hoje uma das pedras angulares do sistema social está sob os olhos de todos, alimentando inseguranças, as frustrações e o sentimento de inferioridade que parecem caracterizar a identidade do homem moderno.

Em outros aspectos, há uma clara dissociação entre o progresso econômico e o bem-estar individual, a ascensão exponencial de novas formas de mal-estar nas sociedades ocidentais, bem como a baixa correlação existente entre os diferentes aspectos do bem-estar e do mal-estar subjetivos e as condições ou circunstâncias externas , sortudas ou azarentas, que sofrem nossas vidas. O que fazer? Abandonar-se ao desespero? Ou parar ante a maravilha do Deus feito homem?

Deixemo-nos guiar por Bento XVI: "Toda nação quer compreender as decisões políticas e econômicas que são feitas em seu nome. Ela se dá conta da manipulação, e a sua reação é, às vezes, violenta. Quer participar de um bom governo. Sabemos que nenhum regime político humano é o ideal, que nenhuma escolha econômica é neutra.

Mas devem sempre servir o bem comum. Encontramo-nos diante de uma reivindicação legítima que preocupa todos os países, para uma maior dignidade, e acima de tudo, uma maior humanidade. O homem quer que a sua humanidade seja respeitada e promovida. Os líderes políticos e econômicos dos países se encontram diante de decisões cruciais e escolhas que não podem mais evitar.

Desta tribuna, lanço um apelo a todos os líderes políticos e econômicos dos Países Africanos e do resto do mundo. Não privem o seu povo da esperança! Não amputem o seu futuro mutilando o seu presente! Tenham uma abordagem ética com a coragem de suas responsabilidades e, se são crentes, orem a Deus para que lhes conceda a sabedoria.

Essa sabedoria lhes fará entender que, como promotores do futuro do seu povo, é preciso tornar-se verdadeiros servos da esperança. Não é fácil viver a condição de servos, permanecer intactos em meio a correntes de opiniões e de interesses poderosos. O poder, qualquer que seja, cega com muita facilidade, especialmente quando estão em jogo interesses privados, familiares, étnicos ou religiosos. Só Deus purifica o coração e as intenções.

A Igreja não oferece nenhuma solução técnica e não impõe nehuma solução política. Ela repete: não tenhais medo! A humanidade não está sozinha para enfrentar os desafios do mundo. Deus está presente. E "Esta é uma mensagem de esperança, uma esperança geradora de energia, que estimula a inteligência e dá à vontade todo o seu dinamismo (...). O desespero é individualista. A esperança é comunhão. Não é este um caminho maravilhoso que nos é proposto? Convido a este todos os responsáveis políticos, econômicos, bem como o mundo universitário e aquele da cultura. Sejam, também vocês, semeadores de esperança!” E este é também nossos melhores desejos para o Natal e Ano Novo.

(Tradução Thácio Siqueira)