A solidariedade, um antídoto para a crise

O Papa recebeu em audiência a Fundação Centesimus Annus, elogiou o compromisso de concretizar a doutrina social e exortou as comunidades cristãs a não abandonarem os empresários

Roma, (Zenit.org) Redacao | 251 visitas

Sábado, 10 de maio, durante uma audiência privada, o Papa Francisco mostrou apoio e gratidão aos membros da Fundação Centesimus Annus - Pro Pontífice, porque acolheram "a sugestão de trabalhar o valor da solidariedade".

O Papa destacou que os seus esforços contribuem para levar adiante um tema "intrínseco à doutrina social", que "sempre se harmoniza com o princípio da subsidiariedade". E também ressaltou a ênfase que o magistério de São João Paulo II - autor da encíclica Centesimus Annus, da qual a fundação pegou o nome - e de Bento XVI, com a Caritas in Veritate, deram ao assunto.

Tema que se torna extremamente atual. "No atual sistema econômico - e na mentalidade que ele gera - a palavra ‘solidariedade’ tornou-se incômoda, até mesmo inconveniente" continuou o Pontífice. Reiterando o que foi expresso na reunião do ano passado, ou seja, que o termo solidariedade parece hoje um “palavrão”, o Santo Padre atribuiu à crise econômica a “alergia” generalizada com relação a este termo.

O motivo, de acordo com o papa Francisco, é devido ao fato de que não se quer estudar realmente de que forma os valores éticos podem tornar-se concretamente “valores econômicos”, ou seja, “provocar dinâmicas virtuosas na produção, no trabalho, no comércio, nas mesmas finanças”.

Uma atitude que vai contracorrente é, pelo contrário, a que caracteriza a Fundação Centesimus Annus - Pro Pontífice. O Papa elogiou o seu esforço para manter "juntamente com o aspecto teórico e prático, o pensamento e as experiências no campo”. E é “a consciência do empresário o lugar existencial onde acontece tal pesquisa”.

Por esta razão, "o empresário cristão é encorajado a sempre comparar o Evangelho com a realidade em que se insere; e o Evangelho lhe pede para colocar em primeiro lugar a pessoa humana e o bem comum, a fazer a sua parte para garantir que não haja oportunidades de emprego, de trabalho digno".

Uma "empresa", disse o Bispo de Roma, que não pode, porém, atuar “de forma isolada". É, portanto, "a comunidade cristã - a paróquia, as dioceses, as associações - o lugar onde o empresário, mas também o político, o profissional, o sindicalista, tiram a seiva para alimentar o seu compromisso e se envolver com os irmãos".

Relação com a comunidade que o Papa considera "essencial", porque "o ambiente de trabalho, por vezes, torna-se estéril, hostil, desumano". Mas a chamada do Papa é bilateral, dirigida também para as próprias comunidades. "A crise prova duramente a esperança dos empresários – adverte -; não devemos deixar sozinhos aqueles que estão com maiores dificuldades”.

O Santo Padre, portanto, destacou a importância do compromisso dos leigos, defendido pelo Concílio Vaticano II, que "insistiu no fato de que os fieis leigos são chamados a cumprir a sua missão nos âmbitos da vida social, econômica, política”.

Papa Francisco também incentivou os “amigos da Centesimus Annus" para prosseguirem a sua missão com fé, porque - disse - "vocês podem dar um testemunho eficaz no seu campo, porque não levam só palavras, discursos”, mas sim “levam a experiência de pessoas e de empresas que procuram atuar concretamente os princípios éticos cristãos na atual situação do mundo do trabalho”. Sem esquecer – concluiu – de dedicar “também o momento certo para a oração, porque também o leigo, também o empresário precisam rezar, e rezar muito, quando os desafios são mais difíceis".

(F.C./Trad.TS)