A unidade na diversidade do Cazaquistão contemporâneo

Uma análise da política religiosa e étnica de um país que tem 40 confissões religiosas

Roma, (Zenit.org) Filippo Romeo | 402 visitas

"Unidade na diversidade: religiões, etnias e civilizações do Cazaquistão contemporâneo" é o título do novo volume da série Orizzonti d’Eurasia [Horizontes da Eurásia], de Dario Citati e Alessandro Lundini.

O texto, publicado na Itália e por enquanto sem tradução para o português, faz uma análise política, religiosa e étnica de um país que, com apenas 17 milhões de habitantes, possui mais de 130 grupos étnicos e 40 confissões religiosas. Em risco de implosão durante os primeiros anos após a independência, o Cazaquistão conseguiu implantar uma política voltada a levar em conta a composição múltipla da sua sociedade, evitando as tentativas de impor uma caracterização étnico-religiosa ao país.

Os autores identificaram como elemento importante desta política a definição de uma nova identidade que as autoridades da capital, Astana, definiram como "cazaquistã" em vez de apenas cazaque: essa identidade seria puramente cívica, não étnica, e incluiria todas as comunidades do país, não somente a etnia cazaque, majoritária. A etnia cazaque é o motor de modernização do país, mas não tem estatuto privilegiado em relação aos outros grupos étnicos. É uma proposta baseada no reconhecimento do multiculturalismo, do respeito pelas religiões e do Estado unificado.

O livro aborda as mudanças demográficas que contribuíram para moldar a sociedade nacional em termos de pluralidade étnica e, no tocante às políticas do governo, a escolha de criar uma assembleia popular que desse representação a todas as minorias. Um amplo destaque é dado ainda à política do diálogo inter-religioso, descrevendo como o Cazaquistão emergiu no cenário internacional como modelo de coexistência pacífica, de tolerância e convivência entre os povos de diferentes culturas e religiões.

Além da análise do papel do islã no Cazaquistão, os autores descrevem algumas das iniciativas implementadas na capital Astana, entre elas o Congresso de Líderes de Religiões Mundiais e Tradicionais e o Fórum Mundial da Cultura Espiritual. Tudo sem esquecer que, especialmente após a adoção da nova lei sobre a religião, o debate ainda está aberto no tocante ao equilíbrio entre a manutenção da estabilidade social e a garantia do respeito pelos diferentes grupos religiosos.

O livro também traz uma entrevista exclusiva com dom Athanasius Schneider, bispo auxiliar da arquidiocese de Maria Santíssima de Astana, secretário geral da Conferência Episcopal do Cazaquistão, doutor em Patrística e professor no Seminário Maior de Karaganda. Na entrevista, dom Athanasius ressalta a importância do trabalho das autoridades civis do país na valorização das tradições religiosas e no reconhecimento aberto do assunto no espaço público.

Em particular, o bispo enfatiza o papel das instituições à luz dos setenta anos de experiência de ateísmo oficial, imposto na era soviética, quando a religião continuava a ser praticada clandestinamente. Foi nesse contexto que a própria Igreja Católica floresceu. Dom Athanasius destaca que as instituições, conscientes do colapso espiritual que acompanhou a queda do comunismo e do vazio de valores deixado por aquela ideologia, perceberam a impossibilidade de eliminar religião da vida dos povos e a necessidade de levar em conta a natural abertura metafísica do ser humano, bem como a importância da religião na construção de uma sociedade mais justa.