A vitória da vida

Belém do Pará, (Zenit.org) Dom Alberto Taveira Corrêa | 814 visitas

"Cristo ressuscitou, aleluia, venceu a morte com amor, Aleluia! Tendo vencido a morte, o Senhor ficará para sempre entre nós, para manter viva a chama do amor que reside em cada cristão a caminho do Pai. Tendo vencido a morte, o Senhor nos abriu horizonte feliz, pois nosso peregrinar pela face do mundo terá seu final lá na casa do Pai". Ressoa o canto transbordante de felicidade nos lábios dos fiéis que celebram a Páscoa de Cristo. Preparados pela Mãe Igreja, chegamos às celebrações pascais, nas quais se proclama e se experimenta a vitória de Jesus Cristo sobre o pecado, a tristeza e a morte. A vida não é um beco sem saída, mas fomos feitos para experimentar a plena comunhão com Deus e uns com os outros!

O acontecimento da Morte e Ressurreição de Jesus Cristo está na raiz da vida dos cristãos. Ser cristão significa ser enxertado na realidade sobrenatural do mistério pascal de Cristo. Ser não cristão é, simplesmente, desconhecer ou desconectar-se de modo consciente ou inconsciente, da realidade salvífica da Páscoa. A vida nova que brota do Cristo Ressuscitado é o mais importante para os cristãos, já que um mundo novo começou com Ele, tudo se fez realmente novo e a morte não tem mais a última palavra.

Nossa oração, as opções de vida que fazemos, a participação nos Sacramentos, tudo tem sua origem e aval de autenticidade na Páscoa de Cristo. Por isso nos reunimos para celebrar a Páscoa neste final de semana: na Quinta-feira Santa, a Páscoa da Ceia; na Sexta-feira Santa, a Páscoa da Cruz; de Sábado para Domingo, a Páscoa da Ressurreição. Não fazemos uma comemoração qualquer, mas se torna presente a única realidade do Cristo que passou da morte à vida, e somos chamados a participar com Ele da morte ao homem "velho" para viver o homem "novo", no dizer do Apóstolo São Paulo.

Tudo na Igreja celebra a vitória de Cristo! Na Quinta-feira Santa, vence o amor, o espírito de serviço humilde ao próximo do lava-pés e o memorial permanente do Cristo vivo, a Eucaristia. A Sexta-feira Santa se celebra com paramentos vermelhos, o rubro do sangue, do fogo, coragem, martírio: a morte de Jesus é celebrada em sua grandeza infinita, porque se entregou por nós e em nosso lugar, para que vença a vida! Na Vigília Pascal e no Domingo de Páscoa a luz de Cristo vence as trevas. Nela nascem para a vida no Batismo os Catecúmenos e nós participamos da experiência dos que o encontraram por primeiro, Maria Madalena, Pedro e João, os peregrinos de Emaús ou os Apóstolos reunidos.

Não temos outra coisa a oferecer a não ser dizer, com a mesma pregação dos primeiros cristãos, que Cristo morreu, Cristo Ressuscitou, Cristo há de voltar, Cristo é o Senhor! Em nós existe a certeza de que tal anúncio traz consigo a força e o poder de salvação para todos os homens e mulheres de todos os tempos, e que, fora de Jesus Cristo, não existe esperança e sentido para a vida!

O Cristo ressuscitado está presente na Palavra do Evangelho que é anunciada. Quem a acolhe experimenta a transformação profunda de sua existência. Ouvir e viver sua Palavra é fonte de vida eterna. Não se trata de uma "mágica", mas transformação profunda, a partir de dentro! Que na Páscoa mais ouvidos e corações se abram para o anúncio do Evangelho.

O Cristo ressuscitado está presente nos irmãos e irmãs, especialmente nos mais pobres. Misteriosamente, sua vitória acontece quando as mãos se abrem para a caridade, tanto que, desde os primórdios da Igreja, a partilha dos bens é sinal seguro da autenticidade da vida cristã. Em Cristo e com Cristo são vencidas as desigualdades e a injustiça. Venham homens e mulheres de todas as raças e povos para a festa da fraternidade.

O Cristo ressuscitado está no meio de nós, quando nos reunimos em seu nome. Sabemos que dois ou mais reunidos na caridade e em nome de Cristo trazem consigo a potência transformadora do mundo em que vivemos. A sede de nosso tempo é de relacionamentos autênticos e sinceros, convivência transparente que atrai mais do que muitas palavras. Renovem-se as Comunidades de Igreja e a Páscoa de Cristo suscite nova e verdadeira capacidade para estabelecer laços. Ninguém passe em vão ao nosso lado.

O Cristo ressuscitado é portador da Paz. Aos seus temerosos discípulos se apresentou com os sinais da crucifixão, trazendo-lhes este dom precioso. Paz, poder para levar o perdão e a misericórdia, envio missionário e o sopro do Espírito Santo. Tudo o que a Igreja e os cristãos precisam já estava ali! Na Páscoa que celebramos neste ano, muitas portas fechadas sejam ultrapassadas pelo Ressuscitado, para que sua vitória vença as tristezas e os medos do nosso tempo. Venham todos ao Cenáculo do Domingo de Páscoa! Ele está disponível na Igreja, cujas portas querem estar escancaradas. Da Páscoa de Cristo para frente, nada é impossível, pois a vitória que vence o mundo é a nossa Fé no Ressuscitado!

O Cristo ressuscitado está presente na Eucaristia. Enquanto esperamos a sua vinda gloriosa na final dos tempos, é em torno do Altar da Eucaristia que se manifesta a exuberância de sua presença. Desde o princípio, Ele é reconhecido na fração do Pão, o primeiro nome da celebração eucarística. Na Santa Missa damos graças, ouvimos a Palavra, Ele está no meio da Comunidade Reunida, os pobres e os pecadores são acolhidos e o Senhor se faz sustento, na Sagrada Comunhão. Por isso, para nós, celebrar a Páscoa é achegar-nos à Assembleia Eucarística, onde Cristo se encontra! Venham, pois, todos os que se encontram distantes e dispersos, para celebrar a festa da vida! Aleluia!