A voz contra o ódio de uma mãe israelense

Seu filho Naftali foi o primeiro sequestrado e depois assassinado, mas a senhora Rachel se esforça para que o rancor não prevaleça

Roma, (Zenit.org) Federico Cenci | 538 visitas

Escande palavras claras contra toda forma de ódio, enfatiza a importância da fé para não "afundar na dor", por fim agradece o Papa Francisco pelo convite que ele tinha feito de ir visitá-lo. Convite que Rachel Fraenkel aceitou com entusiasmo, tanto que a sua viagem a Roma já havia sido planejada. Mas então veio a notícia da descoberta dos corpos dos três jovens israelenses seqüestrados, incluindo Naftali, seu filho.

Em uma entrevista à Família Cristã a mãe, chocada por esta terrível perda, decidiu mostrar as suas emoções, enviando assim um monte de mensagens cheias de dignidade. "Nós temos sete filhos - disse a Sra. Rachel - Naftali é o segundo. Seu irmão mais velho estudou no mesmo colégio, Makor Haim, em Kfar Etzion, e agora estuda a Torá na Yeshiva, uma escola rabínica".

A fé, afinal, é um pilar dentro de sua família. Porque - diz a mãe do menino assassinado - "a religiosidade, profunda e comprometida, funde-se com a abertura para o mundo e a consolidação da cultura e do espírito".

É a fé que está ajudando esta família israelense a viver o luto com os irmãos menores de Naftali. "Com eles, nós, seus pais, falamos da eternidade da alma e repetimos que Naftali pode permanecer sempre conosco, uma vez que não está limitado por um corpo", explica. Palavras, mas também ações concretas, como revela: "Os preceitos, os costumes que regem os primeiros sete dias de luto, a união da família, a capacidade profunda de orar e até mesmo a regularidade e o hábito das orações, forçam a pessoa a estar ativa e não afundar na sua dor”.

Gestos que não dissolvem, porém, “a nostalgia profunda” que a família sente por um filho que perdeu a vida. O importante, continua a senhora Rachel, é evitar que da morte de um jovem surjam desejos de vingança e sentimentos cheios de veneno. "É muito importante para mim que os meus filhos não cresçam no sentimento de ódio e de raiva - reflete -, que sejam capazes de viver a atitude despreocupada, própria de sua idade, e um crescimento sereno".

Serenidade que agora tem sido prejudicada por um gesto homicida, o mesmo que também privou outra mãe, desta vez palestina, do próprio filho. Trata-se de Muhammad, 16 anos de idade, assassinado por alguns colonos israelenses após a notícia da descoberta dos corpos dos três colegas israelenses. A sra. Rachel não perdeu tempo, logo depois desse episódio brutal ligou para a família do jovem palestino.

"Ligar para a família de Muhammad foi a coisa mais natural. Fiquei chocada com esse crime e senti com todo o meu ser o sofrimento dos pais", disse a sra. Rachel. Em seguida, declara estar "orgulhosa dos tribunais israelenses" porque "correram para investigar e capturar os culpados". Uma ação "muito importante", que pôde "enviar a mensagem de que nenhum inocente deve ser atingido e somente a lei tem o mandato para lidar com esses casos". Inocentes que nestas horas estão morrendo em grande número, em Gaza, por causa de mais uma etapa de hostilidades que, por décadas, afligem o Oriente Médio.

No final da entrevista, a Sra. Rachel finalmente fala do papa Francisco, da sua peregrinação à Terra Santa, que "para Israel tem sido um grande evento". Salienta que "o Papa também tinha permitido o encontro conosco, pais dos jovens sequestrados”. A viagem a Roma já estava programada. Antes que a descoberta dos corpos bloqueasse tudo. “Mas, agradecemos muito o Papa Francisco pelo seu convite”, conclui a mãe israelense. (Trad.T.S.)